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    A Jaca do Cemitério é Mais Doce -

    Manoel Herzog

    Alfaguara
    2017
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9788556520470
    Português Brasileiro
    3.5
    72 avaliações
    Leram103Lendo3Querem87Relendo0Abandonos1Resenhas10
    Favoritos0Desejados87Avaliaram72

    Santiago, filho único, cresceu na periferia do mundo. Sofreu na adolescência, nunca conseguiu se encaixar. Odiava a discoteca, a música dos Bee Gees. Finalmente, aos 21, entendeu que as mulheres não consideram um homem que não dance. Matriculou-se no curso de dança de salão e aprendeu que o homem, uma vez na pista, se move apenas da cintura para baixo.Entre suas saídas e seu trabalho massacrante na indústria, ele se apaixona por Natércia, que estudara com ele no colégio. Ela nunca lhe dera atenção, mas agora, vendo-o conhecedor dos segredos do samba de gafieira, deixa que Santiago se aproxime. A relação dos dois, apaixonada no início, doentia no final, é o fio condutor deste romance brilhante, cômico e incomum. A voz de Manoel Herzog remete a clássicos da literatura brasileira, e parte em busca de transformação na forma de contar uma história.

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    Tiago Germano02/05/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Composteira de descomposturas

    Um dos vencedores do Prêmio Machado de Assis e semifinalista do Prêmio Oceanos, ano passado, "A Jaca do Cemitério É Mais Doce", romance do paulista Manoel Herzog, faz jus à sua repercussão positiva. Parte da sua autenticidade se deve ao seu estranhamento, esse atributo que não fica só no título: é produto da própria linguagem de Herzog, que se adequa tão bem ao por natureza inadequado personagem de Santiago, um trabalhador industrial de Cubatão que, nas horas vagas, dedica-se à gafieira com Natércia, sua mulher. A outra parte é tão ou mais difícil de explicar: é a parte do imponderável, este elemento que sempre cerca a grande literatura. Dividindo a casa com dois gatos e uma composteira (dispositivo caseiro que transforma o lixo em insumo agrícola), Santiago rumina a história de amor cheia de pequenas tragédias que envolveu ele, Natércia e Vivaldo, o professor de dança com quem ela vai ao baile na ausência do marido aos sábados - em seus plantões na indústria química. A composteira não é apenas um elemento-chave da trama desta narrativa (cujas tensões vão fermentando, transformando o enredo falsamente banal num poderoso thriller noir suburbano), mas uma verdadeira metáfora para a literatura de Herzog aqui: uma mixórdia de fragmentos, lascas do cotidiano matrimonial de Santiago e Natércia, bem como da sua rotina no clube ou na indústria - a camaradagem, os desafetos... - ingredientes que o escritor vai lançando ao léu e deixando descansar até que, no decorrer das páginas, reste apenas o húmus que vai adubar o terreno para um organismo vivo que cresce frondoso, já no terceiro ato da obra, rendendo seu doce e suculento fruto. É quando a violência que irrompe da relação com Natércia confere à morosidade da vida de Santiago, agora inválido, na companhia de outras figuras femininas - como Mitiko, Marcleide e Cremilda -, um clima de suspense que Herzog conduz com uma habilidade quase hitchcockiana, compondo cenas memoráveis como a da morte do pai de Mitiko, afogado, expelindo crustáceos pelo corpo (uma imagem carregada de beleza e de asco, rescendendo ao caldo pútrido que parece ir se desprendendo da obra conforme vamos avançando e a composteira vai reaparecendo com o seu terror simbólico, com o seu chorume que nós não conseguimos jogar fora). Impossível não se deixar degenerar na confusão psicológica de Santiago, e assimilar a culpa de um protagonista tão empático, mesmo em suas mais atitudes mais antipáticas. Esta talvez seja a grande virtude de "A Jaca do Cemitério É Mais Doce": a incrível capacidade de Manoel Herzog, que ele esbanja como parecesse fácil, de conseguir tornar deliciosa uma história tão difícil de se digerir - como deve ser a fruta de um cemitério.

    7 curtidas

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    Avaliações

    3.5 / 72
    • 5 estrelas14%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas38%
    • 2 estrelas17%
    • 1 estrelas3%
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    Manoel Herzog

    Manoel Herzog nasceu em Santos, São Paulo, em 1964. Criado na cidade de Cubatão, trabalhou na indústria química e formou-se em direito. Estreou na literatura em 1987 com os poemas de Brincadeira Surrealista. Entre outros livros, é autor dos romances Os Bichos (2012), Companhia Brasileira de Alquimia (2013), O Evangelista (2015) e o livro de poesia A Comédia de Alissia Bloom (2014), terceiro lugar no prêmio Jabuti.

    13 Livros
    6 Seguidores

    Manoel Herzog