Com erudição, clareza e senso crítico, Hilário Franco Júnior analisa uma das grandes paixões brasileiras: o futebol. Em sessenta ensaios – entre inéditos e já publicados na imprensa e sites especializados, em versão revista e ampliada –, o historiador Hilário Franco Júnior convida o leitor a fazer uma reflexão sobre este que é indiscutivelmente o maior esporte brasileiro: o futebol. Com textos acessíveis, mas sem perder de vista o rigor acadêmico, Dando tratos à bola explora as várias camadas que compõem um tema imprescindível para compreender nossa cultura, história e identidade. Estão incluídos na atenta análise do autor os aspectos sociais e culturais do esporte, o papel das torcidas, a imagem dos grandes jogadores, a influência das instituições que estão por trás dos campeonatos, a possibilidade de enxergar em times como o Corinthians uma representação da sociedade brasileira, além de uma avaliação detalhada sobre o papel do Brasil em cada Copa do Mundo.
Dando tratos à bola - Ensaios sobre futebol
Hilário Franco Júnior
Edições (1)
Ver maisO futebol como uma janela privilegiada para os fenômenos sociais
Neste livro, diferentemente de "A Dança dos Deuses" (que foi escrito para ser lido seguindo a sequência das páginas), o historiador Hilário Franco Júnior reúne diversos ensaios, divididos por nichos temáticos, sobre a temática do futebol e suas relações com as ciências humanas e, sobretudo, cultura e sociedade. Longe de ser uma que trate apenas sobre o futebol de maneira despretensiosa, Dando Tratos à Bola honra o legado de A Dança dos Deuses quando utiliza do ludopédio como uma janela privilegiada para a observação dos fenômenos e contradições imbricadas em nossa sociedade, tendo seu ápice a partir da página 140, quando o autor utiliza de todos os seus inestimáveis conhecimentos nas humanidades (antropologia, semiótica, sociologia, literatura, psicologia e história) para enriquecer nossa visão sobre o esporte que tanto amamos. As primeiras páginas, no entanto, me soam como um reflexo da época em que a obra foi publicada, em meio a escândalos de corrupção irrompidos através da Operação Lava-Jato, que na época na qual os ensaios foram escritos talvez não tivesse a conotação que possui hoje (operação essa que julgo um marco nefasto na história brasileira). Embora, naturalmente, deteste corrupção e injustiças tal como o autor, não compartilho das acusações infundadas que ele faz de Lula, não hesitando em chama-lo de corrupto, mesmo não possuindo provas para tal, tampouco da tese estapafúrdia que ele menciona mais de uma vez, de que o presidente teria deliberadamente articulado a construção do estádio do Corinthians, bem como fornecido benefícios ilícitos ao clube simplesmente fato pelo fato de ele se dizer corinthiano (embora concorde que a aliança entre a imagem de Lula e do clube, além de simbólica, possui interesses quanto ao ganho de votos). Em suma, embora discorde das críticas infundadas ao PT, sobretudo visando a pane na democracia brasileira após a Lava-Jato e o Golpe de 2016, compreendo toda essa raiva como um reflexo de como os brasileiros se sentiam naquele momento. Ainda, o autor insiste durante muito tempo no tema da corrupção, analisando o sediamento da Copa do Mundo no Brasil de maneira extremamente negativa e cunhando o termo "Maracanazo Social" para descrevê-lo. Também critica a CBF e a sua organização amadora, criticas essas das quais eu concordo perfeitamente. Enfim, todos os ensaios mereceriam uma resenha própria, pois são escritos (com exceção daqueles supracitados que se ocupam de destilar criticas infundadas nas figuras do PT) com maestria, eloquência e muito repertório. Certamente é um livro que vale a pena, não somente para quem se interessa pelos estudos do futebol, mas para aqueles que se interessam pelo estudo da história e da sociedade brasileira e mundial. Afinal o futebol, como Hilário gosta de afirmar recorrentemente, é uma metáfora da vida.
Estatísticas
Avaliações
3.8 / 13- 5 estrelas23%
- 4 estrelas46%
- 3 estrelas31%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%
