3.75 estrelas, na verdade.
Onyx & Ivory é um livro com MUITO potencial. Todo universo criado pela autora, apesar de um cenário meio comum em fantasia YA (reinos, magia, batalha por poder, entre outros), tem elementos muito interessantes, que diferenciam todo o universo criado por ela. É um mundo bastante complexo, com diversos elementos diferentes que dirigem a estória, vetores indo em sentidos distintos, porém que são estruturados o suficiente para construir uma mitologia sólida e coerente. A magia é única, sua divisão entre wilders e magists bem interessante e politicamente bem construída. Toda a história do reino de Rime e adjacentes, com suas peculiaridades, traços culturais distintivos, crenças, foi muito bem construída, assim como o contexto histórico-político de guerra e de poder através das diferentes instituições sociais, como a Inquisition, o uror e a Sevan War. Em suma, toda a estrutura para o enredo do livro é bem amarrado e estruturado. Infelizmente, não foi o suficiente para mim.
O enredo é bom, e cheio de descobertas e reviravoltas, porém suficientemente apontadas ao longo da história para você ter uma noção de para onde as coisas vão. Mas o ritmo do livro não engaja. Na primeira metade do livro tudo estava descompassado, em minha opinião. Cenas que deveriam ser escritas de forma rápida e dinâmica eram arrastadas, enquanto outras, que mereciam uma atenção mais cuidadosa e um destrinchamento melhor, eram escritas em um parágrafo, de modo que todo o avanço do livro ficava meio que fora do ritmo. Posteriormente, apesar da autora ter conseguido manejar melhor esse problema, o livro possui saltos temporais muito grandes, como semanas cujos acontecimentos são narrados em uma linha. Não me agrada, e torna mais difícil minha conexão com a história e com os personagens.
Por mais, a narrativa também não me conquistou. A escrita da autora não é muito envolvente, parecendo mais um reconto objetivo de fatos do que uma história fantástica. Muitas vezes os capítulos narravam apenas os acontecimentos, os fatos, sem dar a perspectiva do sentimento dos personagens, de como eles pensam, da subjetividade envolvida. Além do mais, a escrita é bastante rígida, sem nenhuma empolgação, de modo que se torna complicado ficar muito engajado com os acontecimentos, embora que, racionalmente, você saiba que o que está acontecendo é importante - acabei por ficar impassível durante boa parte do livro, sem aquela empolgação caracterísitica e o nervosismo de querer virar logo as páginas para saber o que acontece. Não era previsível, mas ao mesmo tempo a história não conseguiu me conquistar o suficiente para que eu me importasse muito com o que estava acontecendo por pelo menos 65% do livro. Apenas nos capítulos finais é que eu conseguir pegar o ritmo e me envolver mais com os personagens, visto que foram capítulos mais cheios de ação e mais consolidados no desenvolvimento do enredo. Os diálogos também foram um problema - a linguagem utilizada era muito formal, e a dinâmica entre os interlocutores era muito rígida, o que me impediu de conectar com os personagens. Melhores amigos se comunicavam de forma muito superficial e desconfortável, excessivamente formal, e por isso não pareciam ser melhores amigos.
Os personagens são interessantes, contudo, por conta dessa falta de conexão proporcionada pela escrita, eles não conseguem realmente motivar. Não são apaixonantes, ou enfurecedores, ou capazes de me invocar qualquer outra emoção. São simplesmente personagens, e isso não é suficiente para construir um bom livro, especialmente com tantas outras fantasias com propostas semelhantes por aí. Kate e Corwin são legais, mas puramente isso. Meh. Dal é aquele clássico personagem malandro, porém amável, que já foi visto (e melhor executado), em diversos outros livros (estou falando de vocês, Carswell Thorne e Alucard Emery). Signe e Bonner são apenas potenciais. Nenhum deles realmente evocou algo em mim, e por isso eu sinto muito, pois prejudicou o romance, uma coisa que eu amo. Corwin e Kate tinham TUDO pra ser um casal que eu shippo muito, visto que são melhores amigos que se tornaram inimigos e estão se reaproximando. EU AMO ESSAS COISAS. Mas não senti nada, não me empolguei e não shippei. De novo: meh.
Mas não há como negar que é um livro interessante, cheio de acontecimentos e que tem muito potencial para se desenvolver. Os últimos 25% são o melhor do livro, com o enredo em um ritmo arrebatador e que me manteve lendo sem parar até o fim. Se o próximo livro mantiver esse ritmo, terá definitivamente me conquistado. Uma leitura legal, que passa rápido, apesar das 400 páginas do livro. No mais, há livros melhores com essa premissa. Nada que impeça que esse seja bom, claro, mas ele apenas não se destaca.