As relações sexuais e a luta de classes -

    Alexandra Kollontai

    Centelha Cultural
    2017
    60 páginas
    2h 0m
    ISBN-13: 9788561474409
    Português Brasileiro

    Kollontai, nos marcos de sua militância revolucionária, foi uma estudiosa das relações sexuais, da família na sociedade capitalista e ardente defensora de uma nova moral sexual. Neste texto sobre as relações sexuais e a luta de classes, jamais publicado em livro em nossa língua, ela retoma aqueles temas e analisa sua evolução e, em especial, as bases da moderna solidão e do mal-estar psíquico que todos conhecemos na vida urbana. Imperdível para quem pretenda ir às raízes do problema.

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    Erykah Rodrigues13/03/2023Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Seguindo meus estudos sobre Kollontai, e este trabalho já está bem mais embasado nas tradições ortodoxas do marxismo mas que, vez ou outra, se perde nas construções materiais, fico instigado a usar análise crítica sobre seus estudos. É fato que Kollontai teve uma importância para o que hoje entendemos como feminismo e amor livre, mas é interessante perceber os valores datados e na teorização escassa que hoje se mostra muito mais aprofundada pelas ciências sociais como ponto de partida. Kollontai sabe utilizar da construção de classe para falar sobre a “moral sexual”, um conceito que ainda não entrei em contato e estarei pensando sobre ele porque, vez ou outra, lendo Ângela Davis, compreendo isso como ideologia supremacista de gênero, aliada com a de classe. Portanto, ainda me é estranho usar moral sexual como conceito devido às diversas organizações de família que vieram antes que não eram necessariamente capitalistas, mas que detinham a dominância sobre a mulher do mesmo jeito. Lembrando que sempre excluindo raça e América Latina e países orientais, ou seja, baseado no pensamento eurocêntrico. Talvez, o código sexual seja mais imperativo no que se baseia as instituições primordialmente capitalistas de núcleos de família individual em contraste com o coletivo. Mas, Engels em “origem da família, da propriedade privada e do Estado” demonstrou que essas instituições não nasceram primordialmente no capitalismo. Elas foram fortificadas e transfiguradas pelos interesses e pela ideologia burguesa. Essa necessidade de fortificação ideológica levou processos espontâneos a serem direcionados e controlados pelo homem, pela classe e pela raça, ou seja, utilizaram de uma massa trabalhadora que, no decorrer da história, tiveram seus meios de produção apropriados e que foram obrigados e vender seu trabalho. A questão de classe é vista de forma material ao sexismo ao passo que, mesmo que a constituição e os direitos das mulheres tenham se alargado com os direitos civis liberais, não necessariamente foram extintos com a aquisição de salário ou pela posse dos saberes na introdução do estudo formal. Único problema é que com isso, com a introdução no mercado de trabalho e na indústria a mulher seguiu fazendo o papel que sustenta a família nuclear, tal qual Kollontai escreveu em “Comunismo e família”, tendo uma tripla carga horária. Além de questões de organização que não fora debatido nessa escrita, Kollontai escreveu sobre “acumulação psíquica de potência de amor”, que significa em outras palavras: a necessidade de construir uma sociedade que valorize as mulheres ao ponto de não serem submissa aos homens, tenham condições materiais iguais e, além disso, que se destitua o valor nuclear da família burguesa que é o individualismo exacerbado que adoece, e é baseado no núcleo central do ego masculino. Essa “acumulação” seriam saberes, formas de interpretação e de confronto de valores sexistas e supremacistas, ela não escreve dessa forma, não era dado assim em sua época, mas, há um esboço da educação antissexista e também proletária, porque, de acordo com ela, é importante entender que os valores proletários estão sempre em conflitos com os burgueses. São culturas diferentes. Apesar de ter várias contradições em sua escrita, como a formulação de um tipo ideal de amor bem no estilo weberiano que constrasta com o método marxista de maneira que essa fricção cause uma contradição, é necessário mediar os valores que eram intrínsecos ao amor aquela época, que inclusive eram machistas: ideologia da feminilidade e a ideologia de gênero (papéis de gênero). Comunidade LGBTQIAPN+ nem se comenta. Raça é esquecida. O problema da submissão familiar era um problema da mulher branca, e não da negra, nesse contexto.

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