Essa coletânea reúne 17 contos de Lima Barreto, entre eles, os dois mais famosos do autor: A nova Califórnia e O homem que sabia javanês.
Minha experiência com os contos foi boa, porém esperava algo a mais. Nenhum dos contos é ruim e todos trazem aspectos da escrita de Lima Barreto que fazem dele um dos autores favoritos. Porém, mesmo não tendo desgostado de nenhum conto, foram poucos os que mexeram comigo de forma mais intensa.
Os dois contos mencionados acima, talvez pela expectativa, acabaram sendo um pouco decepcionantes (ainda que sejam bons).
Dentre os meus favoritos estão:
- O Pecado, no qual São Pedro estranha a chegada de uma alma no céu.
- O único assassinato de Cazuza, em que dois amigos refletem sobre a violência.
- Como o "Homem" chegou.
Esse último, a princípio, não havia funcionado muito bem para mim. Acredito que a razão para isso foi a escrita em si, já que foi a primeira vez que tive dificuldade real em ler algo do autor. Contudo, foi impossível não relembrar do conto alguns dias depois da leitura. Na estória, um policial, na expectativa de que receber algum tipo de favorecimento, concorda em ceder um favor e vai até Manaus, buscar um homem tido como louco. Na viagem de retorno, o homem é mantido o tempo todo no "camburão", sem água ou comida. E, ao chegar ao Rio, o homem estava morto.
Gostaria de poder dizer que qualquer semelhança com a realidade é apenas consciência. Porém, não seria verdade. Lima Barreto denuncia em suas obras vários dos problemas sociais que observava em seu entorno, no início do século XX. Infelizmente, mais de um século depois, tais problemas continuam latentes no Brasil.