Eu simplesmente adoro histórias sobre magos e academias/escolas de magia, então peguei esse livro pra ler na maior empolgação... A narrativa começa com Ryiah e seu irmão gêmeo Alex empreendendo uma longa viagem para a Academia de Magia. Ele pretende ser um Mago de Restauração (curandeiro) e ela uma Maga de Combate. Os dois são filhos de um apotecário e a história vai cobrir o primeiro ano deles na Academia, por isto o título First Year. Ao fim de um ano de curso preparatório são escolhidos apenas 5 aprendizes de cada categoria (Restauração, Alquimia e Combate).
E aí vem o primeiro questionamento: Ryiah - que é a narradora - afirma que seus poderes de magia nunca se manifestaram até aquele momento - então por que cargas d'água ela está indo se matricular numa Academia de Magia? Alex cita, em algum ponto da narrativa, que, no caso de gêmeos, a magia costuma se manifestar nos dois - mas isso é motivo suficiente para que uma garota, que até os 15 anos não manifestou nenhum poder, seja aceita na Academia? Até porque eles iam estudar com bolsas bancadas pela Coroa, mais um motivo para não aceitarem qualquer mané sem qualificação nenhuma ou sem uma pré-seleção... Imagine se, nos dias de hoje, qualquer um, sem estudo ou qualificação nenhuma, pudesse se matricular nas universidades para cursar medicina, física, química, etc. só porque acha legal. O mesmo deveria se aplicar a essa Academia de Magia, deveria haver um "vestibular" antes de aceitar os candidatos...
No meio da viagem os irmãos são perseguidos por salteadores de estradas e essa perseguição tomou páginas e páginas só pra justificar que a Ryiah conseguisse manifestar sua magia pela primeira vez (ainda que sem controle nenhum). Sinceramente, acho que isso poderia ter sido comunicado ao leitor na forma de uma breve explicação e não em páginas e mais páginas de encheção de linguiça. Além disso, só demonstrou que a nossa candidata a Maga de Combate não tinha nem a noção mais básica de defesa pessoal ao se deixar dominar por um bandido desarmado (ele tinha uma espada mas não a empunhava no momento da captura).
Aliás, em várias situações do livro, Ryiah demonstrou sua fraqueza, covardia e total falta de brio, pois sempre que estava em minoria ou frente a alguém mais forte (em magia) ela "amarelava". A situação que acontece na disputa pelos tokens de cobre - que os alunos precisavam pegar para passar para a próxima fase na Academia - me deixou simplesmente revoltada com a covardia total dela, que não esboçou a menor reação e se deixou dominar feito um cordeirinho.
Aí eu me pergunto: como uma garota que não consegue nem se defender com os punhos, armas e muito menos com magia, acha que pode ser Maga de Combate? E outra coisa que me incomodou muito: ela é uma péssima estudante em TODAS as matérias: matemática, história, alquimia, na parte de condicionamento físico, em lutas, em todas as disciplinas de magia, etc. Então, como uma pessoa tão ruim em absolutamente tudo, com QI de ameba, que não absorveu e nem aprendeu nada com as aulas, além de fraca fisicamente, covarde, sem nenhuma habilidade de luta ou magia, ainda acha que pode estar na Academia e ser escolhida como aprendiz de Magia de Combate (que é considerada a categoria mais difícil)?!
Essas demonstrações constantes de fraqueza, covardia, inaptidão total e burrice por parte da mocinha me incomodaram demais durante toda a leitura. Eu simplesmente não conseguia torcer por ela. Uma coisa é a premissa comum a todos esses livros de fantasia envolvendo escolas de magia: um garoto (ou garota) pobre, fraco, que não sabe nada de magia - embora já tenha manifestado seus poderes - entra na Academia, sofre bullying de todo mundo, mas consegue aprender, se superar e superar a maioria dos colegas, se tornando, se não o melhor, um dos melhores. Entretanto, nesse livro, a garota simplesmente é uma porcaria em todos os sentidos, não consegue aprender nada nas aulas, e o pouco que consegue melhorar é por meio de dicas de colegas. E o final do livro somente corrobora tudo isso que acabei de citar (e me deixou com muita raiva também, porque achei injusto pra caramba o que aconteceu). Então como se supõe que esta série prosseguirá? Ela vai - por algum milagre - se tornar inteligente, forte, corajosa, habilidosa e com uma magia poderosíssima?
Outra coisa que não gostei foi o caráter extremamente dúbio do interesse amoroso da mocinha - o príncipe Darren. Um cara tremendamente babaca e arrogante, cuja admissão na Academia só foi permitida por ser o segundo filho do rei e não o herdeiro direto ao trono. O cara simplesmente é o fodão da Academia, seguido e idolatrado por um grupinho de riquinhos baba-ovo que humilham e praticam bullying contra os alunos da plebe. Na minha opinião, baseada nas ações dele (e também na falta de atitude em alguns momentos cruciais), ele é outro fraco de caráter, omisso e covarde - o típico babaca que só demonstra valentia quando está cercado por um grupo de apoiadores.
E, para finalizar, outro problema foi a ausência de descrição e caracterização do universo no qual a narrativa se desenvolve. Não sabemos nada sobre o local, os costumes das pessoas, etc.