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    ...E o branco chegou com a cruz e a espada - Pe. José Oscar Beozzo

    José Oscar Beozzo

    CIMI Norte
    1987
    199 páginas
    6h 38m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    5
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    Rara obra publicada nos anos 80 sobre o colonialismo no Novo Mundo.

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    R .25/08/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Publicação de 1987 do Pe. José Oscar Beozzo, com abordagem sobre a colonização do Brasil, implicações para povos indígenas e afrodescendentes, e a ação do catolicismo nesse percurso histórico até a atualidade (leia-se década de 1980). Resulta de curso de história ministrado pelo autor em Belém, 1985, relacionado ao CIMI Norte (Conselho Indigenista Missionário), com ênfase à região Norte. A redação dos textos preserva o estilo de transmissão oral do curso. Particularmente, não curti esse aspecto, que dá uma caracterização de discursos entremeados por várias reportagens ou textos de livros ilustrativos à exposição dos fatos. Fiquei com a sensação de ausência de direcionamento, parecendo uma colcha de retalhos amontoados. Textos que, às vezes e para um leigo, nem sempre é fácil reconhecer um elo. Claro que isso é relativo, não deixando de reconhecer uma obra de valorosas considerações. A visão sobre o indígena é a que tem maior destaque, e o aspecto que chamou mais atenção foi uma divisão da história em fases, construída em relação à ação da igreja ou políticas específicas. O primeiro momento vai da 1500 à 1755. Do descobrimento, quando o Frei Henrique de Coimbra celebrou a primeira missa, à expulsão dos jesuítas e de outros missionários dos aldeamentos indígenas. Os textos ressaltam a ação de catequese e uso da mão de obra desses povos em um sistema de padroado da igreja pelo estado. De 1755 à 1910. Período marcado pela administração de leigos responsáveis pelas aldeias, abandono e violência gradual com a ocupação das terras no Norte. A cabanagem é citada nesse contexto com o indígena unindo forças às massas desprestigiadas pelo estado. 1910 à 1971. Período em que os indígenas são objeto de atuação do estado, primeiro através do SPI (Serviço de Proteção ao Índio) e depois pela FUNAI (em substituição ao SPI); e de missões ligadas à Igreja Católica e Evangélica. Nessa fase ocorreu a ditadura militar e reformulações no catolicismo através do Concílio do Vaticano II (ambos na década de 60, com desdobramentos impactantes para os povos indígenas). De 1972 à 1985. Essa fase iniciou com a criação do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) em um contexto de autoritarismo e luta por direitos diante dos planos de desenvolvimento no Norte através do governo militar, marcados por impactos como rodovias sem planejamento ambiental, criação de latifúndios, pecuária invasiva, incentivos fiscais para empreendimentos estrangeiros sem estudos específicos, desmatamento rotineiro, poluição, violência no campo, entre outros aspectos. O CIMI, reformulado pela modernização católica resultante do Concílio do Vaticano II, engajou-se em lutas sociais. O projeto Calha Norte foi citado como referencial dos planos do governo e de desdobramentos citados. Na questão do negro os pontos que chamaram minha atenção foram: - O posicionamento da igreja ante a escravidão (no sistema de padroado da igreja pelo estado havia conivência e uma citação chocante foi a justificativa do Padre Antônio Vieira, que a via como algo bom para o negro em face das desgraças em seu continente, como se fossem os culpados e assim o encargo que recebiam no nosso país era como um purgatório para eles). - Outra coisa curiosa e desconhecida era o planejamentos dos escravagistas em adquirir escravos de diferentes etnias numa forma de impedir união e fortalecimento. Muitas vezes eram de povos inimigos e, segundo o texto, delatavam as partes contrárias que planejavam fugir. Nas abordagens finais o autor cita o Concílio do Vaticano II e disposições que aproximaram missionários com a Teologia da Libertação e envolvimento com questões sociais - como o engajamento nas CEBs (Comunidade eclesiais de Base). Um estudo sociológico interessante, que me chegou às mãos através de um professor que conheci recentemente. Como é obra de circulação esgotada e rara, disponibilizei nesse link para quem desejar consultar.

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    José Oscar Beozzo profile picture

    José Oscar Beozzo

    José Oscar Beozzo é padre, teólogo e coordenador geral do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular – Cesep. Tem mestrado em Sociologia da Religião, pela Université Catholique de Louvain, Bélgica, e doutorado em História Social, pela Universidade de São Paulo – USP. Faz parte do Centro de Estudos de História da Igreja na América Latina – CEHILA/Brasil, filiado à Comissão de Estudos de História da Igreja na América Latina e no Caribe – CEHILA. Também é sócio-fundador da Agência de Informação Frei Tito para a América Latina – Adital.

    17 Livros
    2 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    José Oscar Beozzo