Arqueologia da violência - Pesquisas de antropologia política

    Pierre Clastres

    Cosac Naify
    2014
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-13: 9788540507029
    Português Brasileiro

    (...) A guerra é regida por lógica centrífuga: se a unidade social não se articula na dialética das diferenciações e da síntese estatal, é porque se tece na contraposição a outras sociedades. Daí o sentido arqueológico da violência: enquanto resistência à desigualdade interna de poder, bloqueia a cristalização das diferenças e o monopólio da força, consubstanciados no Estado. Arqueologia da violência constitui referência incontornável para a ciência política, a filosofia, a economia, a história, a psicanálise, a sociologia e os demais saberes que formam a vasta paisagem das humanidades. A prosa refinada destes doze ensaios eleva a etnologia à esfera da filosofia política, fazendo está última pousar os pés no chão da análise sociológica: em sua bagagem, os relatos de viagem, a mitologia americana, Freud, Hobbes e Rousseau. Não ficaremos imunes ao seu veneno: leitores contra o sossego do pensamento conformista. Luiz Eduardo Soares.

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    Paulo Medrado05/09/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A contemporaneidade de Clastres

    Embora prevaleça o rigor acadêmico e a objetividade cientifica, a leitura do Clastres pela contemporaneidade e método de exposição de suas ideias, mesmo um leigo (como eu) em etnologia ou na metodologia cientifica, é prazerosa e esclarecedora. Fundamentado em observações em campo de anos de convivência com comunidades tradicionais e uma crítica rigorosa a estudos anteriores, Clastres expõe suas teorias de forma avassaladora, nos obrigando a descartar ideias que tínhamos como verdades inquestionáveis: conceito de sociedades primitivas; atividades de subsistência em contraste com a abundância; a filosofia do guerreiro; o comércio; e principalmente a guerra. Debruçar sobre tais conhecimentos nos faz repensar nossa atual civilização e nosso comportamento como integrante na sociedade contemporânea cada vez mais complexa. Leitura obrigatória, e porque não afirmar, deveria ser incluída nos currículos escolares.

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