São Paulo nas Alturas -

    Raul Juste Lores

    Três Estrelas
    2017
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9788568493403
    Português Brasileiro

    Nos anos 1950, uma grande transformação ocorreu em São Paulo: arquitetos modernos passaram a ser mais mais requisitados por uma renovada indústria imobiliária. Em pouco mais de 10 anos, foram criados os mais icônicos edifícios da cidade, graças à aliança de arquitetos talentosos, como Niemeyer, David Libeskind Franz Heep, com empreendedores audazes, entre eles Artacho Jurado, Octavio Frias de Oliveira e José Tjurs. Copan, Itália e Nações Unidas, Conjunto Nacional, o centro comercial Grandes Galerias (hoje conhecido como “Galeria do Rock”) e vários outros prédios de grande qualidade arquitetônica foram erguidos nessa época e moldaram para sempre a imagem da capital, espelhando sua pujança, seu dinamismo e sua modernidade. Em São Paulo nas alturas, Raul Juste Lores reconstitui esse importante período, apresentando a surpreendente trajetória de seus principais personagens, mulheres e homens que deram rumo novo à arquitetura, à construção e à vida urbana no Brasil. O livro traz também 98 fotos e um guia dos prédios em São Paulo (veja detalhes abaixo).

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    Lara Máximo | @cejaleu no insta picture
    Lara Máximo | @cejaleu no insta16/01/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O urbanismo está em todo lugar

    Já acompanhava o canal do Raul no YouTube e sempre gostei da forma dele de criticar o urbanismo: com uma linguagem simples, sem firulas, com piadas sarcásticas e referências do dia a dia. No livro, a linguagem dele não é diferente. O que é ótimo! Apesar de ser uma obra densa de conteúdo, senti como se estivesse conversando frente a frente com o autor, sobre um assunto do qual eu não sabia de nada. O livro é dividido em duas partes: na primeira, o autor fala sobre a chegada dos imigrantes judeus fugindo da Europa nazista da década de 1940, muitos deles arquitetos procurando por uma oportunidade de emprego. Esses arquitetos traziam consigo uma bagagem enorme de conhecimento e experiência na construção de prédios modernistas, descarregando-a na criação de prédios icônicos de São Paulo. O autor também menciona os bancos, incorporadoras e seus sócios que ajudaram no fomento do setor de construção civil durante esse período. E aí vem a parte 2: quando JK torna-se presidente, a inflação já alta. Mas JK perde completamente o controle. A construção de Brasília endividou o país enormemente e levou todo o foco da construção civil para os prédios da nova capital do País. Os arquitetos em SP ficaram sem emprego, dado que as incorporadoras da cidade não conseguiam entregar as obras (pelo encarecimento dos insumos necessários e pela falta de financiamento). Diversas empresas do setor quebraram nesse período. O autor detalha os personagens principais e o fim que cada um levou. Também lemos sobre o período de ditadura militar e a hiper valorização dos carros (corroborando com a construção de rodovias), que nos trouxe ao cenário que temos hoje: as cidades não foram projetadas para pedestres, mas sim para quem tem carro, pois foram se expandido para as margens em vez de para cima (verticalização através da construção de mais prédios). Esse livro é muito rico em conteúdos e o autor chega a conclusões que, apesar de tristes (e realistas), ainda demonstram uma esperança sobre o desenvolvimento e conscientização sobre urbanismo no Brasil. Eu recomendo muito :)

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