Tear Tracks -

    Malka Older

    Tor Books
    2015
    27 páginas
    54m
    ISBN-10: B0151U765K

    Flur traveled across the stars to make first contact with the Cyclopes, hoping to forge a peace treaty between humanity and the first sentient aliens they've discovered. She's undergone careful training and study to prepare for this moment. But what if her approach is too human?

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    Paulo Vinicius18/12/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A história composta por Malka Older é uma releitura do tema do primeiro contato entre humanos e alienígenas. A autora trabalha-o de uma forma muito elegante e criativa. Nós somos enviados a um planeta em uma missão de alto custo para a Terra para fazer contato com os Cyclopes. Acompanhamos Flur e Tsongwa nessa missão diplomática onde eles precisam também a tudo observar e reportar. Mas, lidar com os cyclopes pode ser um desafio já que a maneira como eles encaram determinadas noções comuns aos seres humanos pode ser muito diferente. Logo de cara, a Malka já quebra a nossa expectativa e coloca os cyclopes como humanóides. Eles pouco tem de diferentes em relação a nós. Então para quem imagina aqueles alienígenas verdes e com tentáculos, já toma na primeira página o seu primeiro susto. E a partir dessa definição de que eles são pouco diferentes em relação aos humanos, o leitor é obrigado a reavaliar os seus pré-conceitos. Esse choque inicial também afeta os dois personagens. Todos os procedimentos e rituais necessários para a formulação de um tratado de paz entre as duas civilizações se torna o mote da narrativa. A escrita da autora é bem detalhista e complicada em alguns pontos. Dá para perceber bem que ela é da linha de hard scifi (ficção científica dura). Porém, ela puxa para um lado sociológico que é surpreendente. A maneira como ela insere sutilezas para diferenciar os dois lados tende a uma bela originalidade. O próprio cenário alienígena parece ser familiar até o momento em que ela insere alguma modificação simples que altera toda a nossa percepção sobre o mundo em que os cyclopes vivem. Gostei das descrições, gostei dos dois personagens (já falo a seguir) e do rumo que a história toma. Aliás, fica aquele aviso básico que essa é uma narrativa de ideias: quem está esperando por ação e combate, saia fora. Não é a história para você. É algo mais reflexivo. E aí temos a grande temática da narrativa que é uma polarização entre o poder pela força e a fraqueza pelo poder. Nós sempre imaginamos os nossos líderes como homens fortes e bravos, capazes de fazer enormes sacrifícios em prol de uma ideal. A liderança quase sempre vem da força ou da bravura. Nunca paramos para pensar que essa equação é socialmente imposta. E se pensássemos ao contrário? E se uma vida de adversidades, o sentimentalismo exacerbado ou a capacidade de demonstrar a fraqueza como uma construtora de sabedoria fossem os pré-requisitos necessários para um grande líder? Vivemos hoje em um país que buscou na força extrema e até em uma certa arrogância a solução para os problemas. Mas, será que paramos para pensar que talvez a sabedoria para sair de uma situação difícil esteja nas flores e não nas armas? Malka Older nos coloca para refletir esse tema usando uma imagem linda que é a capacidade dos Cyclopes de construir estradas na pele para que as lágrimas possam correr livremente. Uma imagem poética e bela para esse mundo tão estranho em que vivemos hoje.

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