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    Cânon & Fuga - poesias

    Gerardo Mello Mourão

    Editora Record
    1999
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-10: 8501055417
    Português Brasileiro
    3.7
    3 avaliações
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    "O grande poeta de Minas Gerais não sou eu: - é o espantoso poeta Dantas Mota. O grande poeta do Brasil também não sou eu: - é o nordestino Gerardo Mello Mourão. Sempre sonhei chegar à poesia a que ele chegou. Não tive força. Ele teve." Carlos Drummond de Andrade CÂNON & FUGA, título perfeito (sintético e paradoxalmente múltiplo), define com exatidão o novo livro de poesias de Gerardo Mello Mourão - vencedor do Prêmio Jabuti 1999 na categoria poesia com Invenção do mar. A complexidade da obra, as correlações e os caminhos escolhidos pelo poeta encontraram, no ato de batismo, a mais perfeita representação. Cânon e fuga, ao primeiro olhar, se associam a ritmo e sonoridade, características primeiras dos versos do poeta. Do cânon, Gerardo Mello Mourão retira o solo inicial, a riqueza dos contracantos que vão ampliando volumes e fraseados, o eco dos sons, diálogos e êxtases. Sabe que há outros signifcados, litúrgicos e catalográficos, que redimensionam o cânon num plano religioso e memorial. Vai além: aproxima-se das raízes greco-latinas, canon e kánon, para avisar sobre a presença de Vênus e Beatriz, Baco, Ulisses e Afrodite em sua obra poética. Atingindo o ponto extremo da síntese, o poeta seleciona "&", símbolo frio e atual, como ponto de ligação, agregando modernidade à sua poesia, e passa para a fuga, polifônica, cadenciada, com frestas abertas ao diálogo, às oposições. Percorre todos os seus movimentos (da exposição inicial à coda final, passando pelos episódios, estretos, respostas e contra-sujeitos). E de outras fugas, mais arrítmicas, não relacionadas em dicionários musicais, fala o poeta em sua obra. Cearense, nascido no ano de 1917 na cidade de Ipueira, Mourão aproximou-se, na adolescência, da vida monástica e da carreira militar, mas não resistiu à sedução da palavra. Tradutor de Mao Zedong, Rilke e Parmênides, o poeta-romancista lançou em 1998, com o selo Record, o poema épico Invenção do mar, que foi saudado entusiasticamente nas resenhas literárias. Clóvis Brigagão escreveu: "Reconhecido pelos poetas como um dos grandes do século, o autor de Os peãs continua a varar o tempo com sua epopéia torrencial." José Nêumanne, em sua resenha no jornal O Estado de S. Paulo, completou: "Esse sim, é exclusivo de quem sabe: o eleito das musas. Isso, Gerardo Mello Mourão está dando mais uma prova prática de sê-lo."

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    Gerardo Mello Mourão

    Foi um jornalista, poeta e escritor brasileiro. Era membro da Academia Brasileira de Filosofia e do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura do Brasil. Era um dos mais respeitados escritores brasileiros no exterior. Católico praticante, pertenceu ao movimento integralista, tendo estado preso dezoito vezes durante as ditaduras de Getúlio Vargas e de 1964-1985. Numa delas, ficou no cárcere cinco anos e dez meses (1942-1948). Já na maturidade, foi candidato a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras e foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura em 1979. Em 1999 ganhou o Prêmio Jabuti pelo épico Invenção do Mar. Bibliografia resumida: O Valete de Espadas e as dez elegia; Cabo das Tormentas; A invenção do saber; O valete de espadas; Cânon & fuga; O país dos Mourões; O sagrado e o profano; Invenção do Mar (Prêmio Jabuti 1999); O Bêbado de Deus.

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    Ceará, Brasil

    Gerardo Mello Mourão