No Ângelus de um domingo de 1973, Paulo VI recordava aos fiéis, concentrados na Praça de S. Pedro, um heroica "mãe da diocese de Milão, que para dar a vida ao seu menino, sacrificou, com imolação meditada, a própria." Aquela mulher era Gianna Beretta, de trinta e nove anos, esposa do engenheiro pedro Molla e mãe de três outras crianças. Ao conhecermos a sua história, já não nos admiramos com a conclusão da sua vida que, no entanto, grande eco teve na imprensa. Essa conclusão é quase óbvia para uma pessoa como Gianna que, cheia de vida, sempre decidira pela vida. O Autor faz-nos percorrer, em evocação vibrante, as etapas fundamentais de sua vida: Magenta, onde nasceu em 1922, Milão e Bérgamo Alta, onde cresceu como menina e estudante; Quinto al Maré, no litoral da Ligúria, onde fez os estudos liceais; as Universidades de Milão e Pavia, donde saiu em 1949 como como o doutoramento em medicina e cirurgia; Mesero, onde, de 1950 até a morte, teve um consultório, e, enfim, Ponte Nuovo de Magenta, onde, depois do casamento, trabalhou como especialista em pediatria. Todos aqueles com quem contata crianças e velhos, jovens e pessoas doentes, estudantes universitários e deficientes físicos são contagiados pela sua alegria de viver. Amante da natureza. hábil alpinista e praticante de esqui, viajante curiosa e apaixonada por todas as formas de cultura, encontramo-la imersa em obras de caridade e assistência, em que faz participar grupos juvenis por ela organizados. O ideal missionário atrai-a mais que tudo, até que compreende que o seu caminho é doar-se na família como esposa e mãe. Seus períodos de gravidez são sempre sofridos e sujeitos a risco; ela, entretanto, confiando na Providência, vive esperando e implorando outras vidas, disposta a enfrentar qualquer dificuldade. Mas faze à proposta de um aborto, ela própria consciente, como médica do que está para fazer, não hesita em pôr à frente da sua própria, a vida da nova criatura. Esta é a história de Gianna; um bocado de Evangelho, vivido no limiar do ano 2000, neste nosso mundo em que, por egoísmo e com violência, se tornou demasiado fácil matar. A vida de Gianna, médica e mãe, é uma luz que brilha. E por isso a Igreja achou por bem pô-la sobre o candelabro para que ilumine outros fiéis. Assim, a Causa da beatificação de Gianna Beretta Molla foi solenemente aberta dia 30 de julho de 1980 pelo Arcebispo de Milão, D. Carlos Maria Martini, que a apelidou de "Mártir da maternidade e da vida" e cujo testemunho apresentou como "autêntico sinal dos tempos" e como "gesto profético".
