Após alguns anos, finalmente resolvi continuar essa trilogia que se iniciou com "A colônia". A trama gira em torno do despertar de uma espécie antiga de aranhas em Nazca, no Peru. Essas não são aranhas comuns, elas se reproduzem rapidamente e são carnívoras, ao ponto de comerem carne humana. Elas se espalham pelo mundo rápida e drasticamente, causando um caos global e desespero na humanidade que não encontra saída diante dessa onda apocalíptica.
Não entrarei muito em detalhes, até para não acabar entregando spoilers do primeiro livro. Assim como no primeiro, a narrativa traz perspectivas de vários locais do mundo, então o foco não fica somente numa cidadezinha dos Estados Unidos, por exemplo. Isso é bem bacana, pois temos uma visão mais ampla da proporção que essa expansão tomou.
Há também alguns personagens relembrando fatos já ocorridos e os jogando em diálogos. Essas passagens foram até boas para eu relembrar "A colônia" que li já faz anos, mas, por outro lado, podem soar repetitivas para quem ainda está com a memória fresca ou acabou de terminar o primeiro volume e está indo para o segundo, sendo uma "encheção de linguiça" na narrativa.
Diferente do primeiro livro - que vai mais apresentar a história com os focos surgindo em cada local - aqui tudo já está tomado pelas aranhas, e a premissa traz colônias maiores com muitas bolsas de ovos prestes a eclodir, e muitas, muitas aranhas. Mas talvez seja só a premissa mesmo...
Eu gostei muito do primeiro livro, mas achei que esse caiu bastante. "A expansão" traz mais bolsas de ovos do que as próprias aranhas em si. Não teve muita ação aqui, e achei algumas partes no meio muito paradas, com diálogos e situações bem arrastadas que só serviram para enrolar a história toda.
A pesquisadora Melanie - especialista que está estudando esse grupo de aranhas - meio que perde o protagonismo na trama, de tal forma que o "estudo" para entender sobre a origem delas dá uma esfriada. Não sei como explicar. Ninguém acha uma solução para nada, só precisam de mais tempo para entender as aranhas. Além disso, várias pontas soltas ficam na história, e no final (literalmente nas últimas 5 páginas) é que a coisa anda e parece que vai ter uma reviravolta, deixando o suspense para o último volume (Dia Zero).
Talvez eu tenha criado uma expectativa alta com esse livro, imaginando que traria respostas, mas é completamente o oposto; só surgiram mais dúvidas conforme a leitura avançava. O bom é que os capítulos são bem curtos, o que torna a leitura bem rápida e fluida.
No geral, não é que o livro seja ruim; a estrutura é boa, a ambientação e temática são muito cativantes, mas o desenrolar da narrativa deixou a desejar muito. Em outras palavras, ele teria um potencial enorme para ser ótimo se tivesse sido melhor explorado. Aliás, a questão apocalíptica envolvendo aranhas em vez de zumbis foge do convencional, e isso é muito interessante.
É de praxe que na maioria das trilogias o segundo volume esfrie um pouco e o clima volte a esquentar no terceiro, e assim espero quando for ler o "Dia Zero". Mas confesso que não estou com muita pressa para lê-lo. De acordo com outras resenhas com as quais me deparei, "A colônia" poderia ter parado no primeiro livro, pois os outros são só enrolações da mesma coisa, e isso até desanima.
Mesmo com essas ressalvas, eu recomendo muito o primeiro livro, pois é uma história que instiga, trazendo uma ambientação muito boa e envolvente. Mas, talvez, a melhor opção seja ler "A colônia" e parar por aí. Talvez eu não me decepcionasse tanto se alguém tivesse me dito isso antes.