Transatlântico, que por vezes parece uma carta, é narrado em primeira pessoa por um personagem feminino que parece falar com e para o outro, masculino, que aparece/desaparece em viagens, momentos de minutos contados ou, no último fragmento, parece desaparecer para sempre. Mas não é uma história triste, do desaparecimento ou do desamor. Como a própria autora resolve colocar na última página do último capítulo, uma citação de Raduan Nassar, em um Copo de Cólera: “pois fui tomada de repente por uma virulenta vertigem de ternura”. Transatlântico é uma história de ternura. Em Transatlântico, a cidade de Fortaleza aparece como cenário em alguns fragmentos, mas não como em uma Ode, apenas como necessidade da autora de situar em algum lugar existente, e tinha que ser o seu. Além de Fortaleza, um dos capítulos se passa numa viagem a Chicago, quando os dois personagens vivem (ou seria desejo do narrador de viver) uma aventura de quatro dias regada à cultura negra americana em todos os seus pormenores, na década de 70. Transatlântico não é um livro para ser compreendido, mas para ser sentido.
Transatlântico -
Mariana Marques
La Barca Editora
2009
56 páginas
1h 52m
ISBN-13: 9788562436000
Português Brasileiro
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