A Inquisição em Sergipe -

    Luis R. de B. Mott

    UFS
    2013
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788578222963
    Português Brasileiro

    A historiografia consagrada a Sergipe Colonial é completamente omissa quanto à presença do Santo Oficio na Capitania conquistada por Cristóvão de Barros. Felisbello Freyre, autor da principal História de Sergipe (1891), Ivo do Prado n'A Capitania de Sergipe e suas Ouvidorias (1919), e Felte Bezerra, o estudioso das Etnias Sergipanas (1950), sequer indagam : teria o Santo Tribunal extendido seus tentáculos a este pequeno torrão nordestino? Nossas pesquisas comprovam que sim, e embora muitíssimo menos vasculhado e atormentado que as grandes capitanias vizinhas da Bahia e Pernambuco, também em Sergipe o Santo Oficio devas sou, perseguiu, prendeu, seqüestrou, degredou, torturou mais de uma dezena de seus moradores, tendo levado à morte ao menos um sergipano: José Fernandes, morador na Vila de Santa Luzia, no ano do Senhor de 1762. Iniciaremos esse trabalho arrolando as referências a Sergipe constantes nas primeiras visitações do Santo Oficio às partes do Brasil, passando em seguida à descrição e análise da documentação inédita por nós coletada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo de Lisboa – a saber, sumários, denúncias, processos e confissões - envolvendo pessoas residentes nesta Capitania. Incluímos também aqui uma análise da atuação de dois Familiares e um Comissário do Santo Oficio residentes em Sergipe : eram tais funcionários as pontas de lança e espiões credenciados pelo “terrível tribunal” , cujo lema “Justitia et Misericordia” estava tão distante de sua práxis, que mais sugere mórbido humor do que ideal evangélico.

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    Hiago Feitosa24/09/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Tema pesado, texto potente!

    Dos livros do Mott de historiografia sergipana, esse é o mais tranquilo, é também o que eu vi ele saindo mais dos moldes da escrita historiográfica. Faz isso, mas não sai da História e Antropologia, pois o livro é marcadamente baseado na análise de fontes da época e na discussão a respeito do contexto cultural. Entretanto e talvez pelo enfoque e pela própria constatação da maioria dos casos serem de Sodomia, o autor faz diversas relações com crimes de homofobia atuais em Sergipe, pra mim que sou um historiador LGBTQIA+, sei que a História nos deve isso, nada como outra pessoa queer para reivindicar este espaço. Acho que seria muito legal ver uma nova versão desse livro, com termos atuais, talvez um recorte e um cuidado no uso de certos termos para a análise da época, mesmo com as notas é esquisito na leitura, as relações são extremamente válidas, mas o uso dos mesmos termos no passado e na atualidade soa estranho. Algo que acontece também e é interessante é a análise que o autor faz das repressões à sodomia, na qual o autor entende os jovens escravizados que sofreram violência/abuso sexual/estupro e/ou importunação sexual dos senhores, como mártires. Tenho minhas críticas à romantização, mas acho potente, uma vez que é comum esses corpos serem entendidos no mesmo bolo (como se não houvesse uma opressão de raça dentre os próprios "sodomitas"), Mott entende e consegue transpor em seu livro que existia uma diferença muito grande com relação ao julgamento de senhores e escravizados acusados de sodomia, com os últimos sofrendo maiores sanções, sobretudo físicas e muitas vezes não sendo os agentes da ação. Muito importante pois pensando uma sociedade escravista estes corpos negres são diversas vezes tratados de forma desumanizada e desumanizante, sendo inclusive exterminados na tentativa dos senhores e do Estado/Igreja esconderem os próprios desejos (como o autor coloca). O livro tem temas extramamente incômodos (de uma forma boa, é pra incomodar), mas por tratar tudo junto (sodomia, sacrilégio, bigamia, heresia e afins) ele acaba ficando um pouco confuso. Irei atrás de outras obras de Mott, mais específicas. Cheguei neste para o TCC procurando referências sobre sacrilégio em Sergipe, mas é um livro muito mais rico para discutir sodomia neste período de Sergipe Del Rey.

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