Eros Volusia. A Criadora do Bailado Nacional

    Roberto Pereira

    Ediouro
    2002
    157 páginas
    5h 14m
    ISBN-13: 9788573163674
    Português Brasileiro
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    Bruno Alves26/09/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Divina

    Com sua formação em ballet clássico, o que ela gostava mesmo era de um batuque. Filha de poetas, recebeu nome divino e virou Terpsícore de muitos artistas. Eros Volúsia trouxe toda sua técnica sofisticada e criado o bailado nacional com as influências do maracatu, da "macumba", além de outras danças regionais apresentando suas obras pelos mais requintados teatros, o que em geral não eram lá tão requintados assim, e se tornando ícone pop nas revistas e símbolo da cultura nacional com seus candomblés mexendo na encruzilhada entre a África e a Europa que é o Brasil. Então vieram os anos de Ouro do período da Segunda Guerra e virou "produto nacional" nos Eua. Em sua primeira viagem a vida foi dura e magra, ainda assim mais longe do que podia imaginar e, após alguns meses voltou para um pais de boatos e mais vida dura entre aplausos e ratos. Por falar em boatos, teve de enfrentar os preconceitos de uma sociedade que via sua profissão como coisa de prostitutas e, olha que "prostituta" não era elogio. Orgulhosa de suas raízes, sempre preferiu expressar suas "africanidades" na dança "exótica" com todo o corpo, inclusive com o cabelo, o que chamava bastante atenção. Despudorada, fazia o próprio figurino e virou mestra na arte. Apesar de muitas declarações de amor, inclusive do então jovem Nelson Rodrigues que a pediu em casamento depois de vê-la se apresentando, seu amor não foi domesticável por homem algum, porque é movimento, coreografia, tesão, graça, improviso e coragem. Baixinha, se tornava gigante nos palcos e, sua luz não tardou a iluminar outras jovens como professora no Theatro. Magrinha, aumentou todo o peso da mais completa arte expressionista, daquelas pra Nietzsche e Huxley nenhum botar defeito, integrando as massas e as elites, o vulgar e o espiritual, o marginal e o sofisticado, o transe e o profissionalismo. Além de ler a biografia de Nijinsky, lia roteiros, até fez novela de revista e cinema, mas seu chão era o palco. E sobre ele fez a inversão dionisíaca, ao gosto de Baco levou a África a conquistar Paris e a América Indígena a conquistar Nova Iorque, fez as elites brancas darem "Viva! Macumba!" e se descobrirem "No Pescoço da Girafa". Sublima toda sensualidade das mãos e do baixo-ventre do povo, aprimorado em sua técnica laboriosa, alcançar o espiritual, o divino, o místico. Seu legado é areia demais pro caminhãozinho da nossa cultura e acabou transbordando para o fundo do atlântico. Mas seu espírito vive. Viva!

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