Uma greve de garis viraliza no Rio de Janeiro e um executivo se envolve num acidente de trânsito de consequências devastadoras. Episódios aparentemente desconexos que deflagram a Primavera Verde, uma revolução política, social e ecológica comprometida com a limpeza literal e metafórica da cidade. Grampos plantados em lugares estratégicos pela Polícia Federal investigam possíveis organizações criminosas relacionadas aos líderes do movimento, que também aparecem, em meio a uma torrente de diálogos aleatórios - a Era de Ouro da Televisão, os métodos intimidatórios de Vladmir Putin, a vida sexual dos pandas, o golpe, a Copa -, nas informações vazadas por uma certa Gangue do Seriado. Com os (quatro) pés fincados no presente, Macaco Velho é um romance polifônico que satiriza as transformações do nosso tempo.
Macaco Velho -
André Cunha
Edições (1)
Ver maisO livro Macaco Velho posso dizer é um livro diferente. A começar pela narrativa que poderia considerar como sendo um romance-novela. O autor para fugir um pouco do usual, se utiliza de gírias, palavrões e da nossa língua falada no dia-a-dia. Não espere um português escorreito. Não quero dizer que existem erros ou falhas da língua portuguesa, mas senti que o autor buscou deixar a linguagem mais perto da maneira que realmente falamos, sem rebuscamentos e palavras polidas como se estivéssemos num filme de época ou falando com nossos avós. Se bem que muitos avós são bem “prafrentex”. O enredo não poderia ser mais apropriado para os nossos (infelizmente) dias atuais. O livro não irá fazer você viajar por paisagens bonitas, não existe príncipe encantando – isso não é spoiler – não existe o mundo perfeito onde todos são legais, leais e honestos. Aqui é realidade pura. Na sua essência. É exatamente o mundo que estamos vivendo. Voltando a narrativa, ela é entremeada por relatórios, entrevistas, reportagens, depoimentos policiais, escutas telefônicas. E como disse o próprio autor em uma entrevista, é um quebra-cabeça que você vai montando durante a sua leitura. Continua me incomodando um pouco as notas de rodapé. Sempre tive essa “dificuldade” em me acostumar com uma leitura assim. Mas, isso não compromete o todo, que é o mais importante. Nada que compõe a narrativa será uma surpresa para o leitor. O leitor não irá se espantar com as maracutaias, com os lobbys em Brasília. Muito pelo contrário, o leitor deverá se sentir incomodado em perceber que é nesse mundo que estamos vivendo. Que é assim que a coisa acontece. E que não deveria ser assim. Quem sabe livros como “Macaco Velho” não sirvam de estopim para algo maior, para algo que nos podemos fazer para mudar esse país e para que o próximo livro possa ser algo mostrando que o “Macaco” nasceu de novo e completamente repaginado.
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