Em sua obra, Ray Jackendoff apresenta sua proposta linguística de arquitetura paralela e nos panoramiza de modo completo, dinâmico e com uma riqueza considerável de exemplos sobre os estudos linguísticos mais influentes até o lançamento de sua obra, sobretudo aqueles situados no campo da cognição. Entre os temas aprofundados no trajeto da obra, incluem-se a complexidade da estrutura linguística, a concepção da linguagem como um fenômeno mental, seus fatores de combinatoriedade, a compreensão da Gramática Universal (GU) idealizada por Chomsky, o processamento da linguagem e como ela trabalha a memória de longo e curto prazo (respectivamente correspondentes ao armazenamento lexical e às construções online), além de elucidar uma perspectiva evolucionária da linguagem, por meio da arquitetura paralela, e suas implicações semânticas, conceptuais e lexicais.
Ao decorrer de sua proposta teórica, Jackendoff contra-argumenta o sintatocentrismo característico do gerativismo e o semantocentrismo característico do cognitivismo, sugerindo que tanto a sintaxe, quanto a semântica e a fonologia compartilham da mesma importância quanto à estrutura da linguagem, que “compreende um número independente de sistemas combinatoriais, alinhados uns com os outros, através de uma coleção de sistemas de interface”. (JACKENDOFF, 2002, p. 111). Logo, a modularidade gerativa é contestada em lugar da possibilidade de sistemas de interface, nos quais a sintaxe, a fonologia e a semântica interagiriam, somente assim possibilitando processualidade à linguagem.
Jackendoff conclui a obra nos deixando por reflexão as proposições seguintes:
• Muitas questões da língua tocam em outras áreas relativas à cognição humana, ou seja, não são exclusivas à linguística;
• A língua é muito relacionada a outras modalidades cognitivas e perceptuais;
• O léxico é parte essencial dos componentes de interface, por constituir interação inequívoca entre a sintaxe, a fonologia e a semântica;
• A arquitetura paralela busca equilibrar o papel da semântica e da sintaxe na linguagem;
• Os significados das palavras de uma sentença são composicionais (o significado do todo corresponde à soma individual do significado das partes), mas podem ser mais complexos e flexíveis, contrariando padrões e generalizações;
• A semântica tem sua própria organização gerativa e a sintaxe precisa dividir com ela estrutura suficiente para dar às palavras uma ordem certa para a fonologia.