Este livro narra o processo de luta da Liga Camponesa do engenho da Galileia contado por quem sobreviveu. O Engenho da Galileia é localizado no município de Vitória de Santo Antão, Zona da Mata do estado de Pernambuco. A obra é contada a partir do Zito que vivenciou os acontecimentos na condição de neto de uma das lideranças. Nessa trajetória diversas questões foram colocadas, exemplo: conflitos, mortes, resistências, lutas, a ditatura militar, as reações politicas etc. O livro apresenta o processo de criação da Liga, as resistências e lutas travadas pelos camponeses pernambucanos em defesa dos seus direitos e da reforma agrária. A luta pela e na terra é discussão presente do início ao fim do livro.
Foi muito inspirador conhecer, a partir de quem viveu, a organização dos trabalhadores rurais, suas mobilizações e estratégias de luta contra as violências e repressão dos latifundiários. A violência dos latifundiários contra os trabalhadores rurais era ( e segue sendo) tremenda. Tem partes do livro que o autor retrata diversos episódios de assassinatos e torturas. Muito triste e revoltante. Além disso, o autor também fala sobre as torturas e perseguições durante a ditadura militar.
Um ponto marcante na narrativa do livro é a importância de Francisco Julião na defesa, organização e mobilizações dos camponeses, bem como, na defesa por uma reforma agrária radical. Os últimos capítulos são destinados a contar sobre a Galileia no tempo de hoje.
Os anexos do livro são de uma grandeza sem tamanho! Contém textos de Francisco Julião, Josué de Castro, João Goulart e Vinícius de Moraes sobre os camponeses e a reforma agrária. Textos excelentes e didáticos como o Guia do Camponês, Bença mãe e a Cartilha do Camponês, ambos, de Julião.
Por fim, apresenta uma cronologia da Liga e um acervo de iconografia com algumas fotografias e notícias em jornais sobre as Ligas Camponesas.
Recomendo a leitura dessa obra para todos e todas. A história das Ligas Camponesas é algo que o Brasil precisa conhecer e valorizar! Um ponto marcante da nossa história recente.
A luta pela terra no Brasil é uma luta histórica, atual e constante! Não esqueceremos!