Sobre este livro em especial, seu próprio nome, Últimos Cantos, parece aludir a uma fase de transição. Nele estão colocados alguns poemas indianistas já conhecidos do livro Poesias Americanas, como “I-Juca-Pirama” e os poemas soltos organizados como Poesias Diversas. Nessas, encontramos um Gonçalves Dias diferente abordando temas dos mais variados, como poemas laudatórios. Mas há algumas constantes nesses poemas, como se aludissem às temáticas comuns das canções trovadorescas, ora lembram as cantigas de amigo e de amor, ora apontam para uma percepção do tempo, uma angústia, uma desilusão com a vida, resumindo-a em “nascer, lutar, sofrer”, e no meio disso tudo, a ilusão amorosa. Também já parece refletir algo parecido com que viria a ser a profusão do egotismo da geração seguinte dos poetas românticos, como Álvares de Azevedo, mas diferentemente desses não há o exagero, pois os poemas de Gonçalves Dias são leves, extremamente musicais, mesmo quando fala sobre a morte ou a solidão, mas nem por isso deixam de serem profundos e filosóficos.
Últimos Cantos -
Gonçalvez Dias
Algumas notas sobre o autor e a obra
Como é uma leitura obrigatória, pelo menos na UFPR, enquanto ouvia o audiobook comentado e acompanhava a leitura fiz algumas anotações, vou deixá-las aqui caso alguém precise. • O romantismo começou em 1836, com Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães. • Gonçalves Dias é um escritor da primeira geração e mesmo autor de Canção do Exílio. • Sua obra aborda temas nacionalistas, a natureza, os indígenas, e também o romance. • Sempre possuí ritmo, métrica e rimas, mas não um soneto. • Valorização dos povos nativos e da cultura indígena. • Tem mais interações entre os próprios indígenas, não apenas entre indígenas e europeus. • Gonçalves Dias estudou a cultura indígena e o tupi. • O primeiro poema é sobre o gigante de pedra do Rio de Janeiro. Conta como, independente das mudanças no lugar, da invasão dos portugueses, o gigante continua deitado, olhando para o céu. • O segundo poema tem o eu lírico feminino, uma indígena preocupada com seu amado. A natureza está fortemente presente na escrita para representar a paixão da indígena, quando seu amor floresce junto com a natureza e, quando percebe que o Jatir, seu amado, não se encontrará com ela, fica indignada, chama por Tupã e a beleza da atureza se desfaz. • O terceiro conto, y juca-pyrama - aquele que não deve viver/aquele que vai morrer. Os Timbiras praticavam o ritual antoprofágico, eles são terríveis. Um índio Tupi está prestes a ser morto e devorado pela tribo, que o amarram e pintam das cores dos Timbiras. O índio Tupi faz seu canto de morte, ele diz que seu pai já velho depende dele, então ele propõe voltar para cuidar do pai até sua morte e, depois disso, voltar para ser devorado no ritual. Porém o indígena chora, e para os Timbiras os que choram no ritual não são dignos de serem devorados, como ocorre no livro do alemão Hans Staden quando chega ao Brasil, inspiração do autor. O chefe Timbira libera o índio Tupi, mas não por causa da história dele com o pai, mas porque acha o indígena covarde por chorar. O indígena dá comida para o pai quando o acha, o pai descobre o que aconteceu e fica irritado, ele vai com o filho até a tribo Timbira para a morte no ritual mas ao descobrir da parte que o filho chorou o pai se envergonha e joga pragas no filho. O filho faz um grito de guerra desafiando toda a tribo e com isso tanto o chefe da tribo quanto o pai consideram o índio Tupi honrado para ser morto no ritual. Ao final do poema, um velho Timbira retém na memória e conta para todos sobre a bravura do índio Tupi.
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