Peças escritas por Gonçalves Dias entre 1843 e 1850: Beatriz Cenci, Patkull, Leonor de Mendonça e Boabdil, que marcam o drama como uma nova forma teatral no Brasil, onde o romantismo era presente em peças teatrais de conteúdo amoroso, lírico e trágico, e “Leonor de Mendonça” se apresenta na vanguarda de ser um dos primeiros trabalhos teatrais no Brasil. A estética teatral de Gonçalves Dias é inspirada no romantismo europeu, resultando no drama da junção do grotesco com o sublime, da tragédia com a comédia, do terrível com o bufo, conforme os termos de Victor Hugo no famoso "Prefácio" de Cromwell. “Leonor de Mendonça” é uma peça teatral com características de drama burguês familiar conjugal, cheios de amor, ódio, ciúme e conflitos morais/psicológicos, e chegou a ser censurada pelo Conservatório Dramático do Rio de Janeiro. Nessa obra, Gonçalves Dias, leitor de Shakespeare e tomado de referências em Schiller, nos atualiza no drama e no teatro romântico brasileiro, o que Lukács colocou como a “necessidade de superar pela forma” algumas das problemáticas burguesas, onde as peças de Gonçalves Dias marcam a saída do teatro brasileiro da tragedia neoclássica para aderir características europeias dramáticas e românticas.

