Deixa eu confessar aqui uma coisa: São poucos os livros que me metem medo. Quem lê bastante do gênero de terror conhece muito bem alguns clichês, sabe como funciona a narrativa pra te prender em uma cena agoniante... A gente sabe, vai. Até aí, okay. Por que raios estou falando disso?
Porque vencer esses clichês e entregar uma atmosfera de horror e suspense transcende esses mecanismos. E a gente sabe quando ficou assustado de verdade, é aquele devaneio involuntário logo após terminar um conto, ou uma cena desse conto (ou livro).
E aí que tenho que bater palmas para o Igor, ele conseguiu me prender em longos devaneios em uma sensação mesmo agoniante. E ele não precisou fazer muita coisa, uma cena e outra que ele te coloca na pele do personagem bastam pra você sentir aquele medo raiz mesmo, de ficar incomodado com o silêncio súbito da própria casa.
São 5 contos, que eu lembrei dos filmes de terror da década de 80 e de livros do começo da minha adolescência, quando estava descobrindo a literatura de horror. Os dois últimos contos “O choro” e “Por trás das paredes” já são os meus preferidos.
O livro tem ilustrações no final de cada história, o que achei bem interessante.
“Agonia” é o nome perfeito para esse apanhado de pequenos contos. Eu realmente senti muita nostalgia durante toda a leitura, e talvez nem tenha muito a ver com as referências do escritor, mesmo assim, foi um medo bem genuíno. Recomendo fortemente!