Um clássico da literatura norte-americana (e não somente dela). Traduzido por estas bandas como "A cabana do Pai Tomás", o livro retrata as condições degradantes a que estavam submetidos os negros à época da escravidão. Difícil não se comover com imagens de famílias desfeitas, castigos severíssimos, bem como ao imaginar as cenas de desespero que são relatadas na obra. Como contraponto, também lemos passagens marcadas por um profundo altruísmo (com um fundo religioso), tanto por parte dos escravos como de alguns senhores. E aquelas protagonizadas por uma criança, então, são bastante comoventes. Já o personagem que dá o nome ao livro retrata um perfeito mártir cristão.
Em alguns momentos a obra parece pender em demasia para um discurso panfletário, mas é algo compreensível (a autora é uma conhecida abolicionista). A obra, segundo alguns, teria sido responsável por desencadear a Guerra Civil daquele país no século XIX (ao acreditarmos que o presidente Lincoln tenha dito isso à autora, em um encontro ocorrido entre eles).
A edição traz um texto introdutório de autoria de uma professora de Harvard, bastante esclarecedor e que não apenas situa a obra em seu tempo, mas também apresenta as diversas interpretações (positivas e negativas) que surgiram no decorrer dos anos até a segunda metade do século XX. No final, excertos de textos (provenientes de várias fontes) sobre o livro, bem como questões e comentários.
É daquelas leituras que prendem - e muito - o leitor. Vale a pena!