Seja sobre um relacionamento em ruínas ou sobre a possibilidade de rememorar, a obra Ruinosas Ruminâncias do poeta goianense Philippe Wollney faz um passeio caótico pelo imaginário do narrador, que mostra a afetação da memória dentro do que o próprio autor intitula como releitura do amor na pós-modernidade. As intervenções mostradas ao longo das oitenta e seis páginas não se dão apenas na poesia forte de Wollney, elas também estão presentes nas citações de artistas nacionais e locais, que ajudam a construir o clima de ruptura que atravessa a obra. O autor trabalha imageticamente para que sua poesia tenha um impacto ainda mais forte dentro da narrativa que se constrói em cima dos escombros da linguagem. Dividida em três partes: ruínas, vestígio e ruir é o melhor remédio, a obra se mostra forte no sentido de impactar o leitor que está despreocupado, com poesias intensas e cheias de repetição que fixam ainda mais o sentido proposto no título.
Ruinosas ruminâncias trouxe uma nova perspectiva acerca do amor em tempos difíceis, mostrando que ruir não significa o fim, mas uma forma de resistência dentro dessa avassaladora onda de novidades. Sua poesia é intertextual e melodiosa, podendo ser facilmente confundida com uma canção. A junção do imagético que interage com a perspectiva do leitor e a força de uma linguagem que se reinventa ao decorrer da narrativa mostra que pensar fora da caixa pode ser um divisor de águas na obra de um autor, Philippe é a prova disso.