sabe aquele livro que te faz indagar o que você nem tinha ideia de que poderia ser indagado? cascas de didi-huberman fez isso comigo.
a construção de uma memória coletiva e individual é refeita a partir de imagens, mas é crucial ir além do que se está dado nas imagens, ir além do que os olhos podem ver.
com um tema tão caro e que pode ser levado para realidades diferentes de outros grupos minoritários como a construção da história, ainda que de uma história de dor, está presente aqui.
eu estou apaixonada por este livro. ele ainda está latente aqui dentro. eu quis falar dele para todos que estão ao meu redor. eu quis que ele ecoasse para além de mim.
com toda certeza eu vou ler mais de didi-huberman, principalmente pelo seu viés filosófico que não coloca em contraposição o emocional ao racional, algo que eu prezo muito.
não poderia deixar de mencionar que a ideia de cascas, título escolhido pelo autor, é uma das mais geniais e sensíveis que eu já li.
uma boa escolha para quem ama a arte da fotografia e quer pensá-la de outras formas.
jamais conseguirei reverberar toda revolução feita por didi-huberman em mim. deixo então um dos muitos trechos que corroboraram com isso:
“para nós, que aceitamos examiná-la, essa fotografia ‘defeituosa’, ‘abstrata’ ou ‘desorientada’ testemunha algo que permanece essencial, isto é, o próprio perigo, o vital perigo de presenciar o que acontecia em birkenau. testemunha a situação de urgência e da quase impossibilidade de testemunhar naquele momento preciso da história. para o idealizador do ‘lugar de memória’, essa fotografia é inútil, uma vez que privada do referente que ela visa: não se vê ninguém nessa imagem. mas será necessária uma realidade claramente visível ou legível para que o testemunho se consume?”