Quebra-corpo
Quebra-corpo Poças de sangue, quando abro a gaveta, e como um homem que parte jogo a arte do como, como um útero comparo um cômodo, como à comodidade do mundo comparo meu corpo, nessa tarde malandra que parte a parte se reparte, como a laranja em gomos, o leão em pelos, eu que me comparo à gaveta ou que – apenas a abro – descubro não haver nada dentro nada fora, nem gaveta nem como, apenas essa ação entre os ossos, essa lenta experimentação de um corpo que se articula com a tarde essa tarde-corpo que se abre no mundo como um guarda-chuva sereno. [de "Anjo tigrado", 1975]
