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    As Três Mortes de Che Guevara -

    Flávio Tavares

    L&PM
    2017
    232 páginas
    7h 44m
    ISBN-13: 9788525436801
    Português Brasileiro
    3.9
    42 avaliações
    Leram55Lendo7Querem63Relendo0Abandonos0Resenhas2
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    As mortes de Che Guevara: 1 - O disparo em Cuba 2 - A agonia no Congo 3 - A execução na Bolívia O título deste livro não resume só uma imagem ou metáfora: quando um sargento boliviano, trêmulo e sob o estímulo da aguardente, metralhou o prisioneiro ferido, Che Guevara já estava morto havia muito. Começou a morrer em Cuba e agonizou no Congo. É o que se relata aqui, com base em pesquisas e testemunhos que remontam a 1961, quando Flávio Tavares conheceu Ernesto Che Guevara, ao cobrir, como jornalista, a Conferência Econômica da OEA, em Punta del Este. Meio século após a execução de 1967, o mito ressurge numa nova história concreta, narrada a partir de depoimentos da mãe, dona Celia, do comandante Benigno (que lutou a seu lado em Cuba, no Congo e na Bolívia), de um coronel boliviano que combateu a guerrilha e de um major aprisionado pelos guerrilheiros, além de outros. Este livro penetra num terreno oculto que as biografias de Che Guevara não abordam: por que ele deixa Cuba e vai ao Congo, depois à Bolívia, em improvisações que o levam ao fracasso? As respostas aqui estão, no ritmo profundo e leve que deu a Flávio Tavares o Prêmio Jabuti em 2000 e 2005 e fez dois grandes escritores do século XX elogiarem Memórias do esquecimento, seu livro inicial.

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    C O M U N A picture
    C O M U N A24/01/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    “As Três Mortes de Che Guevara” é mais um livro publicado pelo Flávio Tavares sobre o Che, uma das figuras revolucionárias que mais influência pessoas pelo mundo até os dias atuais e que o autor teve a honra de conhecer na década de 60. Nele, o Flávio Tavares se debruça sobre um tema muito pouco debatido da sua história, percorrendo os caminhos que fez após a revolução cubana e mais precisamente quais as motivações que o levaram, mesmo quando já tinha importantes cargos na direção do partido e era Ministro da Indústria, a sair de Cuba e ir às pressas ao Congo, quase como estivesse fugindo e depois à Bolívia, onde foi abandonado e covardemente assassinado, numa busca incansável pelo sonho de construir uma sociedade socialista. Um grande diferencial dessa obra em relação a outras que também se desafiam a discutir sobre revoluções socialistas do século XX está no fato de que o autor não escreve sobre Che de forma isolada do contexto político internacional que vivia o mundo na década de 60. O livro põe em evidência como a contrarrevolução de Nikita Kruschev contribuiu para o abandono e enfraquecimento de todos os movimentos revolucionários que marchavam a todo vapor pelo mundo antes de 1956 e foi justamente nisso que divergiu Guevara. Che representou algumas vezes Cuba na URSS na década de 60, em que já se encontrava no revisionismo e se decepcionou bastante, pois via uma burocracia instalada. Ele enxergava que o revisionismo a longo prazo levaria ao desmantelamento da URSS e que o correto era que Cuba desenvolvesse sua própria indústria, se tornando auto-suficiente, enquanto Fidel era adepto de uma relação de dependência com a URSS, onde Cuba seria exportadora de matéria-prima em troca de benefícios como tecnologia, bens de consumo, etc. num acordo que tinha suas diferenças, mas que imitava a lógica do imperialismo. Além do contexto da contrarrevolução revisionista e da guerra fria, havia também nesse período o conflito sino-soviético em que o PCCh rompeu com a URSS devido ao que considerou traição de Nikita Kruschev. Se aproximar da China era o mesmo que se opor a URSS e ainda assim, o Che defendia que Cuba estivesse alinhado à China e demais países socialistas que não haviam cedido ao revisionismo. Não encontrando mais espaço em Cuba e sendo inclusive vigiado pela URSS, estava claro que ele se converteu numa “persona non grata” e às pressas vai ao Congo num disfarce irreconhecível para lutar pela independência da Bélgica, onde é abandonado por Cuba e pela URSS que lhe garantiram apoio. Após o Congo, o novo e último destino de Che é a Bolívia, onde novamente é abandonado e dessa vez, em condições ainda piores pela URSS e Cuba. O que Che Guevara passou em seus últimos anos era reflexo da política da URSS que tinha interesse que se iniciassem movimentos revolucionários pelo mundo, de forma a ameaçar, enfraquecer e dividir as forças dos EUA, mas não tinha objetivo algum que essas revoluções fossem vitoriosas, pois o surgimento de uma “nova Cuba” ou mais que isso, ameaçaria diretamente a hegemonia da URSS e sua influência sobre demais países socialistas e partidos comunistas do mundo, que sem exceção, foram liquidadas pelo revisionismo à exemplo do PCB, e por isso era interessante a estratégia de incitar rebeliões e abandoná-las durante o processo, deixando os guerrilheiros para a morte e aos olhos de Nikita Kruschev, maior traidor da classe trabalhadora mundial, uma “persona non grata” como Che Guevara seria melhor que estivesse morto. Cuba, foi uma das últimas dentre as muitas revoluções populares que eclodiram no século XX e o exemplo heróico do Che Guevara nos dá inspiração e motivação, nos indica que o caminho a ser seguido é o da revolução e não do reformismo, da luta de classes e não da conciliação. Che Guevara mostra que a nossa luta é justa e que será inevitável a nossa vitória, pois o futuro avança e a velha sociedade burguesa desmorona. Che é um grande exemplo de abnegação, de uma vida dedicada a causa de libertação dos povos explorados de todo o mundo, que não se contentou enquanto o mundo não fosse todo socialista e que até o momento de sua morte, jamais se curvou diante dos opressores e mesmo quando assasinado, recebeu tiros de peito aberto com a completa convicção de que fez o melhor pelo bem da humanidade e dos povos. Hasta la victoria siempre, comandante Che Guevara!

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    • 2 estrelas7%
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    Flávio Tavares

    Escritor de livros sobre a política brasileira e latino-americana na década de 50 e 60, é articulista de Zero Hora (RS). Foi correspondente de O Estado de S.Paulo no exterior durante o exílio. Ganhou dois prêmios Jabuti e um prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte

    6 Livros
    8 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Flávio Tavares