Quando as fitas ditados por Nikita Khruchtchev depois de aposentado apareceram pela primeira vez no ocidente, havia lacunas em pontos cruciais da narrativa. O próprio Khruchtchev autorizara essa censura, aparentemente por motivos políticos. Duas décadas passariam antes que fosse possível preencher essas lacunas. Agora o material recentemente liberado fornece novidades no mínimo extraordinárias. Entre as revelações: - Stalin confirmou a contribuição "muito significativa" de Julius e Ethel Rosenberg ao projeto da bomba atômica soviética. - No auge da crise cubana, Fidel Castro queria que Khruchtchev lançasse um ataque nuclear contra os Estados Unidos. - Khruchtchev queria restituir ao Japão as ilhas Kurilas, tomada pelo URSS na segunda guerra mundial e normalizar as relações entre os dois países. As novas fitas contém ainda valiosas informações sobre o pacto Molotovo-Ribbentrop de 1939 e seu protocolo secreto que "concedia" a Lituânia, a Estônia e a Letônia à URSS; um relato fascinante sobre a publicação na URSS de Um Dia na Vida de Ivan Denisovitch de Aleksanrd Solzhenitsyn e sobre a proibição por Leonid Brezhnev das obras subsequentes do autor, comentários ácidos sobre Brezhnev e seus aliados, opiniões francas e dúvidas de Khruchtchev sobre a invasão da Tchecoslováquia pelas forças do Pacto de Varsóvia e sobre o massacre da Primavera de Praga. Com material do maior interesse histórico as Fitas da Glasnost ajudam, mais do que nunca, a compreender a movediça e turbulenta situação da União Soviética e da Europa Oriental.
