Mundo na sala de aula, o - parabola

    MARIA SILVIA GONCALVES

    PARABOLA
    2017
    0 páginas
    0m
    ISBN-13: 9788579341359
    Português Brasileiro
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    Ângela Cristina Rodrigues de Castro28/01/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Mundo na sala de aula: intertextualidade nos anos finais do ensino fundamental

    GONÇALVES, Maria Silvia. O Mundo na Sala de Aula: intertextualidade nos anos finais do ensino fundamental. São Paulo: Parábola Editorial, 2018, 189 p. O livro é a versão revista da Dissertação de Mestrado da autora, intitulada Leitura intertextual na escola, defendida em 2004, na Faculdade de Educação da USP. Propõe um debruçar sobre a leitura, "não mais como instrumento de prazer, de politização ou de trabalho, mas como objeto de estudo" para o atendimento de algumas questões teóricas como: "O que se pretende com a exploração de textos na sala de aula?", "Como melhorar o desempenho do aluno-leitor proporcionando ao professor-mediador ferramentas adequadas a uma abordagem de texto mais proficiente?". Segundo Maria Sílvia Gonçalves, a leitura é o passaporte para a transformação social: ela é instrumento de conscientização pois incide sobre a produção cultural, tornando-se uma forma de aproximação entre os indivíduos e essa produção, permitindo que tenham acesso ao conhecimento, capacitando-os à crítica e à apropriação do conhecimento. A autora parte do princípio de que o trabalho com o aspecto da intertextualidade é potencializador da leitura, tornando tal leitura mais proficiente, uma vez que "os textos produzidos em nosso mundo cultural também dialogam entre si, quer pela voz de seus locutores, quer pela voz de seus leitores" (p. 52) e que a construção dos sentidos advém de uma atividade inferencial, "possível graças às experiências e conhecimentos compartilhados por uma coletividade" (p.49). Seu objetivo é o de "chegar a uma proposta alternativa de abordagem do texto, que conduza a uma leitura escolar mais significativa, justamente por ser intertextual" (p. 22). Dessa forma, no decorrer do livro, elabora considerações sobre como vêm sendo conduzidas as atividades com textos na sala de aula e propõe uma "melhora qualitativa na abordagem textual por meio de atividades inferenciais em que se estabeleçam relações, desenvolvam-se raciocínios e deduções" (p. 08). Com o intuito de chegar ao seu objetivo final, Maria Silvia Gonçalves apresenta um quadro com a configuração das relações leitor-texto para justificar o nível de exigência requisitado do aluno, considerando-se seu estágio de desenvolvimento cognitivo e a linguagem como sistema simbólico interativo e mediador na relação do sujeito-objeto. Dedica um capítulo inteiro (Capítulo IV) para traçar teoricamente uma trajetória da intertextualidade e conceitos afins (como a interdiscursividade), desde que esta expressão foi utilizada pela primeira vez, na década de 1960, chegando à sua passagem pelos campos da Literatura, da Estética, da Análise do Discurso, por meio dos escritos de Gérard Genette, por exemplo. Seu embasamento teórico advém de pesquisadores como Vygotsky, Bakhtin, Marcuschi, Maria Thereza Rocco, Manguel, Roxane Rojo, Genette, Irene Machado, Foucambert, Edgar Morin, entre outros, e a autora estabelece conexões com os campos da Linguística Textual, Análise do Discurso, da Teoria da Complexidade, com os estudos sobre o Dialogismo, sobre os Gêneros e, finalmente, com a Interdisciplinaridade, cujas relações com a leitura intertextual "foram apontadas como alternativas para a formação de um leitor-cidadão crítico e consciente, que seja ciente de sua realidade e capacitado para o enfrentamento das situações-problema" (p. 09). A relevância da obra, considerando-se que há muito tempo a intertextualidade vem sendo o tema de diversos estudos sobre o trabalho com textos e sobre a sua importância para a leitura proficiente, recai sobre sua organização didática e sua linguagem mais simples para professores que ainda não tenham tido contato com o tema, assim como pela proposta de algumas sequências didáticas que podem servir como encaminhamentos, pontos de partida e de reflexão para o trabalho com textos, embora não como modelos a serem seguidos cegamente por professores.

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