Nascidos na afastada vila Élpida - assim chamada por receber a primeira neve do norte - três jovens amigos são inseparáveis e sonham com a glória e honra de proteger seus conterrâneos numa guerra que já perdura por cinco décadas. Tomas (Tom), Cléo e Marcus querem se tornar Belígeros, ir para as muralhas que protegem a vila e lutar nesta guerra contra os horrendos e impiedosos Gurles, mas algo inesperado acontece e eles são separados.
Coisas ruins sempre estiveram do lado de fora, mas o que vamos descobrir é que o mal também está ali, muito mais próximo do que qualquer um poderia imaginar.
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Somos inseridos no momento da história onde uma guerra – que já dura 50 anos - acontece do lado de fora das duas muralhas que cercam a vila de Élpida, e é travada pelos guerreiros desta vila contra os Gurles. Essas monstruosidades de cerca de dois metros de altura, pele esverdeada, grandes garras cobertas por veneno, alguns poucos dentes podres e um único olho enorme no centro do rosto, surgiram inesperadamente e com motivações desconhecidas além do próprio desejo por morte que inicialmente aparentam ser tudo que as move.
A separação dos três protagonistas acontece quando Cléo e Marcus conseguem ser designados para o cargo de Belígeros, podendo assim ir para fora das muralhas e lutar com os Gurles. Esse eixo mostra como a visão sobre o cargo é superestimada e também outros aspectos muitíssimo interessantes como estratégias e formações de batalhas, assim como nos permite ver mais do mundo criado nesta fantasia. Em contrapartida, Tom acaba sendo requisitado para ser treinado como Pacificador e agir dentro da vila, algo consideravelmente estranho já que essa função só tem nomeação a cada 20 anos e não deveria ter acontecido. Assim, ele tem que ficar em Élpida e, o que no início pareceu monótono, surpreende por revelar segredos e intrigas escondidos de todos.
Não posso negar que quando os três se separaram foi um momento de tristeza e felicidade ao mesmo tempo, pois senti a decepção e dor de Tom em não conseguir o cargo com que todos eles tanto sonhavam e ainda ver seus únicos amigos partirem - além de sua paixão por Cléo permanecer guardada com esse afastamento. Mas foi muito feliz pela quebra de expectativas e uma trama política e misteriosa que me pegou desprevenida. Adorei termos as visões alternadas do que acontecia dentro da vila com Tom e fora dela, nos campos de batalha, com Cléo e Marcus.
Questões muito intrigantes foram abertas tanto dentro quanto fora da vila de Élpida, e sinto que duras e assombrosas respostas virão na continuação que, a propósito, quero ler.
O livro mostrou que Camila Escobar sabe que escrever para o público jovem não significa uma aventura cheia de ação e vazia de contexto, mas sim que é possível construir algo que encante os adoradores do gênero sem deixar questões necessárias de lado.
Uma obra de fantasia infanto-juvenil repleta de aventura e um toque suave de romance. Que com certeza é uma ótima porta de entrada para o mundo da leitura quando se pensa no público alvo, mas que também é capaz de entreter leitores mais experientes que buscam algo rápido, simples e divertido.
Ps.: Preciso enaltecer uma coisa importante e que faz falta em tantos outros livros: temos um glossário. É claro que as explicações foram feitas no decorrer da história, mas eu não sou do time que lembraria de todas imediatamente, então um glossário é muito prático! rs
Resenha feita para o ig literário @aruivalendo