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    O Cinema Tricontinental de Glauber Rocha - Política, estética e revolução (1969-1975)

    Maurício Cardoso

    LiberArs
    2017
    260 páginas
    8h 40m
    ISBN-13: 9788594590558
    Português Brasileiro
    3.5
    1 avaliação
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    Cinema Tricontinental de Glauber Rocha analisa os filmes menos conhecidos e mais enigmáticos do nosso maior cineasta: O Leão de sete cabeças, Cabeças cortadas, História do Brasil e Claro, lançados entre 1969 e 1975, nas condições adversas de um prolongado exílio entre Cuba, França e Itália. A atuação internacional de Glauber, delineada pela realização dos filmes, a publicação de inúmeros artigos e entrevistas em revistas europeias e latino-americanas e a participação em diversos festivais e congressos de cinema, ampliou significativamente o raio de ação do cineasta que já era, em fins dos anos 1960, a liderança inconstestável do Cinema Novo. Estas formas de ação consolidaram suas idéias e anseios, bem como explicitaram os impasses às suas expectativas diante da interlocução com cineastas e produtores de diversos países. A partir da análise das obras do exílio, Maurício Cardoso revela o ousado projeto estético e político de Glauber de um Cinema Tricontinental que pretendia integrar as cinematografias dos países subdesenvolvidos da América Latina, África e Ásia em nome da libertação do domínio econômico e cultural do imperialismo. Segundo o Autor, o Cinema Tricontinental fez convergir um programa político de unidade do Terceiro Mundo, uma criação estética pautada na incorporação da religiosidade popular e uma perspectiva de revolução social utópica e redentora. Este livro, dotado de um exemplar exercício de método, apreende com rigor as significações produzidas pela análise fílmica que reverberam sobre o entendimento dos processos históricos. Baseado nos trabalhos de Ismail Xavier, o Autor reconhece nos filmes, determinadas formas estéticas que sedimentam a matéria social, conduzindo a investigação pela teia complexa entre a interpretação das fontes de pesquisa e o entendimento sobre a formação social do país. Os apontamentos sobre imperialismo, subdesenvolvimento, cinema nacional e outras categorias supostamente defasadas pela onda neoliberal e desmonte do país, revelam, no entanto, o engajamento político de um cineasta que se posicionou no debate do cinema mundial com a potência de um gigante, ignorando as desigualdades econômicas e a hierarquia do gosto cultural. O percurso revela, assim, um prato cheio para os estudos de world cinema que, hoje, procuram identificar as conexões e redes entre filmes e cineastas desse admirável mundo novo.

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