Viajando nos livros de Verne já embarquei em aventuras pela Escócia, Estados Unidos, Inglaterra, França, África, Amazônia, profundezas oceânicas, interior da Terra e até mesmo no espaço. Dessa vez o convite é para a Ilha dos Estados, situada no extremo sul da Argentina.
Publicado em 1905, em linhas gerais, apresenta embate de Vasquez com Kongre, um faroleiro argentino sobrevivente ao ataque de piratas chilenos, liderados pelo segundo personagem citado. Nos interesses, o plano pirata em provocar desastres entre as embarcações com a inativação do farol (para serem espoliadas), e a reação do faroleiro sobrevivente para impedir o maquiavélico propósito (contando com ajuda de John Davis, também único sobrevivente, mas da primeira embarcação prejudicada pelos piratas).
Não é um livro cheio de aventuras ou que tenha projeções vernianas visionárias no campo tecnológico, prevalecendo o drama psicológico no desenrolar dos eventos.
Historicamente, evidencia para o leitor do contexto de época o local remoto, de acesso difícil e com perigos diversos (sejam naturais ou humanos) que se constituía o extremo sul no continente sulamericano, até então a rota marítima de comunicação entre os oceanos Atlântico e Pacífico, antes da abertura do Canal do Panamá.
Um fato curioso, para leitores que gostam de apreciação geográfica, é que a Ilha dos Estados (na Argentina) não é o local mais ao sul no Hemisfério Sul, antes da Antárdida, recorde que pertence a Ilha de Hornos (chilena). A ilha chilena é conhecida como o Fim do Mundo e por isso, em paralelo ao título do romance, pode ser confundida como o local focado por Verne nesta obra.
A edição tem texto inicial com biografia de Verne, gostei da abordagem, que se apresenta bastante instigante. O que não curti na edição foi a ausência de ilustrações. Olha que no contexto de Verne foram produzidas muitas no estilo bico de pena (as que mais aprecio em obras antigas). Se foram produzidas em relação a esse romance, enriqueceriam muito a obra se publicadas.