Setembro de 1911. Um audacioso assalto assombra Porto Alegre. Quatro estrangeiros misteriosos deixam um rastro de joias, dinheiro e sangue. Uma fuga alucinada pelas ruas do Centro. A pé, de carruagem, de bonde, na carroça do leiteiro. Gritos e correrias. A polícia no encalço dos quatro foragidos. Os jornalistas perseguem notícias. O pânico tumultua o cotidiano. Um problema para o governo. Um fôlego para a oposição. O crime vai para o centro da disputa política, para as discussões nos cafés. Competição de manchetes. Tropas em prontidão. Prisões em massa. Os anarquistas em alerta. Os judeus relembram pesadelos. Histórias secretas vêm à tona. Cenas cinematográficas. Um filme sobre o crime é produzido em poucos dias. Metade natural, metade ficção. Tiros e takes. A Tragédia da Rua da Praia é um caso de polícia. E de cinema. Quando há um assalto no coração da cidade, os ladrões fogem disparando para todos os lados, um ferido agoniza dois dias no hospital, todo mundo acompanha a sua dor, as pessoas se dão conta que isso pode acontecer com qualquer um. A morte de uma cidade pacata, agradável e inofensiva, que não existe de verdade, mas as pessoas assim a consideravam na mansidão de seu cotidiano. Com o tempo, as coisas se normalizarão, o crime deixará de estar nos jornais, nas conversas. Mas, acredite, Porto Alegre nunca mais será a mesma.
Tragédia da Rua da Praia - Uma história de sangue, jornal e cinema
Rafael Guimaraens
Libretos
2012
304 páginas
10h 8m
ISBN-13: 9788588412057
Português Brasileiro
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