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    Auto da barca do inferno -

    Gil Vicente

    SESI-SP
    2015
    106 páginas
    3h 32m
    ISBN-13: 9788582058145
    Português Brasileiro
    3.3
    61 avaliações
    Leram99Lendo4Querem21Relendo1Abandonos3Resenhas11
    Favoritos0Desejados21Avaliaram61

    Este livro não é apenas uma nova edição da obra Auto da barca do inferno, clássico de Gil Vicente. Trata-se de uma tradução interlingual, como define o poeta Ivo Barroso, responsável pela transposição do português arcaico para o moderno. O leitor poderá apreciar, com o mesmo rigor das estrofes, versos e métricas da versão original, o sabor da ironia crítica de Gil Vicente na versão contemporânea. Estará, assim, diante de um novo texto, mais próximo do nosso linguajar, sem, contudo, abandonar as raízes, resguardadas na obra vicentina também aqui presente. Para consolidar a releitura deste texto, o artista Alex Cerveny criou um estilo de desenho para cada personagem de acordo com a função delas nesta viagem infernal.

    Edições (1)

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    Resenhas (11)Ver mais
    luan souza picture
    luan souza19/04/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Auto da Barca da Moralidade

    Adorei este livro, o autor, Gil Vicente, conseguiu discutir sobre a moral de uma forma muito genial, aproveitou a sua incrível habilidade na escrita. A estória se passa entre duas barcas, uma, do Diabo, que vai direto para o inferno, a outra, do Anjo, que vai ao céu. Vão chegando aqueles que morreram, ansiosos para saberem em qual barca hão de navegar, curiosos de seu destino. Basta saberem para negá-lo. O Diabo, querendo convencê-los de que são pecadores sem salvação, expondo seus gozos pelos seus erros e que deveriam subir à barca em direção ao inferno; os pecadores, negando tal destino, partiam para a barca do Anjo, onde obviamente eram negados. Não me chamou tanto a atenção quando o Tolo foi salvo, e sim quando o anjo aceitou o Ladrão na barca da salvação. O que o tornou ladrão? O que o fez furtar? Justamente aqueles que usavam seus palavreados latinosos, como o Juiz, que roubava, mesmo tendo, como o Fidalgo, que argumentou o merecimento de sua redenção pelo que é, pela sua classe. O Ladrão sendo salvo, fez-me lembrar da situação em que vivemos hoje, com o bordão "bandido bom é bandido morto". Nessa questão, o "bandido" só é bom morto quando o bandido não é branco e de alta classe. Uma hipocrisia descarada. A partir desta reflexão, é possível ver de onde esta mazela se origina e ao mesmo tempo pode ser resolvida — dentro do mesmíssimo lugar —, lá no fundo da educação, onde a grande maioria não consegue enxergar, pois é escuro demais e nem todos possuem uma potente lanterna.

    6 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.3 / 61
    • 5 estrelas13%
    • 4 estrelas20%
    • 3 estrelas41%
    • 2 estrelas20%
    • 1 estrelas7%
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    Gil Vicente

    Gil Vicente (1465? — 1536?) é geralmente considerado o primeiro grande dramaturgo português, além de poeta de renome. Há quem o identifique com o ourives, autor da Custódia de Belém, mestre da balança, e com o mestre de Retórica do rei Dom Manuel. Enquanto homem de teatro, parece ter também desempenhado as tarefas de músico, actor e encenador. É frequentemente considerado, de uma forma geral, o pai do teatro português, ou mesmo do teatro ibérico já que também escreveu em castelhano - partilhando a paternidade da dramaturgia espanhola com Juan del Encina. A obra vicentina é tida como reflexo da mudança dos tempos e da passagem da Idade Média para o Renascimento, fazendo-se o balanço de uma época onde as hierarquias e a ordem social eram regidas por regras inflexíveis, para uma nova sociedade onde se começa a subverter a ordem instituída, ao questioná-la. Foi, o principal representante da literatura renascentista portuguesa, anterior a Camões, incorporando elementos populares na sua escrita que influenciou, por sua vez, a cultura popular portuguesa.

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    Distrito de Braga, Portugal

    Gil Vicente