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    Nova Reunião - 23 Livros de poesia, Volume 2

    Carlos Drummond de Andrade

    BestBolso
    2009
    392 páginas
    13h 4m
    ISBN-13: 9788577992041
    Português Brasileiro
    4.5
    99 avaliações
    Leram156Lendo6Querem139Relendo1Abandonos4Resenhas10
    Favoritos2Desejados139Avaliaram99

    Esta Nova reunião resgata a seleção de poemas que Carlos Drummond de Andrade publicou originalmente pela José Olympio em 1969, com 10 livros de poesia. A obra foi posteriormente ampliada pelo autor e reeditada com 19 livros (1983). Agora, 23 livros de poesia compilados em 3 volumes, um convite para a leitura (ou releitura) da mais pura e luminosa poesia drummondiana. Volume 2 | Seis livros de poesia: A vida passada a limpo - Lição de coisas - A falta que ama - As impurezas do branco - A paixão medida - Boitempo I.

    Resenhas (10)Ver mais
    gabriel picture
    gabriel25/06/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Em tempos de poesia "inspiradora", Drummond é o antídoto

    Só dei quatro estrelas porque esta edição é cagada, com vários erros de digitação e de grafia para várias palavras. Isso já é um problema para qualquer obra, mas quando o assunto é poesia, isso se torna intolerável, porque você não sabe se é o poeta brincando com a palavra ou se é um erro mesmo. Um erro de revisão imperdoável, dá pra ver que foi um volume completamente lançado às pressas. Enfim, aqui temos o segundo volume da série em três volumes da "Nova Reunião", que é uma compilação atualizada de 23 livros do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. Neste volume, temos seis livros de poesia: A vida passada a limpo, Lição de coisas, A falta que ama, As impurezas do branco, A paixão medida e Boitempo I. É, portanto, um passeio pelo trabalho poético de Drummond por vários anos, desde anos 1950 até os anos 1970. Se não fosse pela edição ser mal revisada, eu daria cinco estrelas com certeza, não que eu tenha gostado de paixão de todos os poemas, mas acho que isso é impossível considerando a amplitude da seleção, e nem mesmo os Beatles lançaram o "Abbey Road" a cada minuto. É normal e esperado ter alguns poemas mais "morninhos" ali no meio, e isso na verdade até dá uma aliviada, pois deve ser muito chato ser genial o tempo todo. Outra coisa que me chama a atenção é a variedade de estilos do autor, os poemas variam muito tanto em temática como em forma, e isso torna a leitura bem variada e interessante. Mesmo que um poema não tenha algo a dizer individualmente, mesmo assim ele vai ter algo de novo e surpreendente, e isso agrada bastante. Drummond era um poeta inquieto, mesmo já praticamente consagrado (ainda que a crítica sempre tenha pegado no seu pé também, ou pelo menos parte dela). Eu abomino a ideia de que poesia deva ser "inspiradora", aliás um dos termos mais detestáveis de nossa época. Pra mim, a questão da "inspiração" se insere numa semiótica neoliberal nos dias de hoje, que não é o caso falar aqui, o fato apenas é que é uma ideia vazia e sem sentido. Quando isso é unido à poesia, e gera aqueles poemas bobos de Instagram (falando de flores e sei lá mais o quê, num tom "singelo" e falso), é algo ainda mais detestável. Drummond é o necessário antídoto para essa superficialidade. Os poemas transitam por várias áreas, são humanos, são irônicos, falam de memórias de infância, são filosóficos (sem serem pedantes), são confusos (deliciosamente confusos), são simples... é como vários autores dentro do mesmo autor. Ainda assim é sempre Drummond, e dá pra notar um estilo unindo tudo isso. Os poemas quase nunca soam forçados, dificilmente são piegas (nunca são, na verdade), e nunca tentam ser mais do que são. Acredito que Drummond seja um poeta conciso e contido, o que é muito bem-vindo. Após uns livros um pouco mais chatos ali no meio, o livro Boitempo me surpreendeu fechando o volume, um dos melhores livros que eu li dele e com poemas ótimos e muito bem-humorados. Acho que Drummond encontrou um equilíbrio aqui, ele retoma um pouco daquela coisa "anedótica" dos seus primeiros livros. Eu gostei bastante. Num dos livros do meio (acredito que seja o "As impurezas do branco"), o tema da informática surge algumas vezes, o que é bastante surpreendente, considerando que se trata de um livro de 1973. Fala inclusive de softwares e programação, o que mostra que ele estava bastante preocupado com o tema (ou pelo menos atento a ele). Fico imaginando o que Drummond falaria hoje, nesses tempos de redes sociais. Os poemas que eu acho mais chatos são quando ele cisma em falar das igrejas e procissões de Minas Gerais, eu sou um cara da cidade e muito pouco religioso (na verdade, nada religioso), então estes assuntos não me tocam muito. Mas entendo a importância do assunto para ele, que cresceu num ambiente religioso e tradicional. Alguns poemas de "boi" também não me tocam pelo mesmo motivo, mas gostei do Boitempo porque ele fala sobre muitas outras coisas. Mas essa é uma particularidade mais minha e não diz respeito à qualidade dos poemas em si. Difícil lembrar dos poemas individualmente, são um monte deles, mas um poema sobre a Primeira Guerra Mundial logo no livro Boitempo eu achei bem interessante (chama-se "1914" apenas). Outros poemas dele descobrindo a sexualidade são também interessantes, como o poema "A Puta" e um outro sobre um amor platônico e impossível que ele teve nos tempos de Itabira (a moça era mais velha, e ele, menino). No fim, tem uma crônica do próprio Drummond, chamada Autorretrato, em que ele responde algumas das críticas (em um tom irônico) e explica um pouco o que ele acha da sua própria poesia (sempre meio "de zueira" no entanto). A única parte em prosa em toda essa coletânea. Ótimos poemas, quase todos em verso livre, muito mais difíceis do que versos com métrica, porque muito poema medíocre se esconde atrás da forma, e aqui é território livre, muito difícil um poema ser interessante meio "na louca" assim. Drummond era um dos mestres nesse quesito, e é simplesmente maravilhoso de ler. Só tiro uma estrela mesmo porque essa edição é deplorável, onde já se viu maltratar um dos nossos maiores nomes com um monte de erro de impressão, então eu não a recomendo especificamente (a não ser que esteja muito barata em algum lugar, aí vale ler com ressalvas), de resto vale pegar alguma edição melhor revisada de "Nova Reunião". Definitivamente não vale comprar livros individuais do Drummond, é jogar dinheiro fora, pois essas compilações já tem vários livros juntos numa tacada só, a não ser que você ache algum apelo especial em ter o próprio livro mesmo (talvez pelas capas, ou por algum outro motivo). Mas não peguem essa edição de bolso, o volume um até que achei beleza, mas esse segundo está muito mal revisado. Quatro estrelas por isso.

    5 curtidas

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    4.5 / 99
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    • 4 estrelas24%
    • 3 estrelas9%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%