Estudos científicos apontam que, em algum período entre 500 e 40 mil anos atrás, um animal muito parecido com os seres humanos desenvolveu uma inteligência diferente de tudo que tinha existido até então. Mas, quando, porque, e como isso aconteceu é um dos maiores mistérios do universo. Se existe vida na terra há cerca de 3,6 bilhões de anos, porque somente após 40 mil anos atrás apareceram provas inequívocas do surgimento dessa cognição diferenciada? O que provocou isso? Como ocorreu essa transformação? Este livro apresenta uma teoria lógica, dentro dos princípios de Charles Darwin e Alfred Wallace, para esclarecer esse grande mistério: a origem da humanidade. Há 75 mil anos, explodiu o mega vulcão Toba na Indonésia, abrindo uma cratera de 30 x 100 Km, expelindo fogo, gases, cinzas e fumaça a 30 mil metros de altura, quatro vezes a altura que viajam os jatos comerciais, provocando um inverno vulcânico em todo o planeta por 1.800 anos, baixando a temperatura global em 15 graus, nos primeiros 6 anos, e em 12 a 5 graus, nos anos posteriores, e extinguindo várias espécies, sobretudo na Ásia, na Oceania e na África. Se o leitor fizer uma busca na Internet, “a catástrofe de Toba”, terá acesso a vários sites e muitas informações sobre o fenômeno. O autor propõe que, no extremo Sul africano, um punhado de hominídeos com uma inteligência semelhante a chimpanzés, em 15 mil anos, adquiriu uma inteligência semelhante à dos humanos de hoje. A extinção de várias espécies provocou uma desestabilização na cadeia alimentar, obrigando a esses hominídeos correr longas distâncias para caçar os poucos animais que escaparam da catástrofe, e nadar com grande eficiência, para alimentar-se de peixes, sobretudo do mar, ambiente menos afetado pelas consequências de Toba. Cambotas que eram como ainda são os chimpanzés de hoje, sofreram uma pressão evolutiva extraordinária no sentido do estreitamento da pélvis para facilitar a corrida e o nado de caça. Só que tinham um cérebro muito volumoso, e o estreitamento da pélvis começou a impedir o nascimento dos bebês, ora matando a mãe, ora o bebê, ou os dois. Nesse ponto, o autor apresenta uma solução para resolver o grande mistério: sugere que os hominídeos que nasciam um pouco prematuros tinham maior vantagem no nascimento, pois, com os cérebros ainda um pouco menores, podiam passar mais facilmente pela nova pélvis que se estreitava. E aí, aconteceu o inesperado, o efeito colateral que proporcionou o surgimento dos humanos que somos: aqueles que nasciam um pouco antes do tempo, prematuros, não tinham todos os instintos gravados, isto é, nasciam com memórias livres. Muitas memórias livres! Quanto mais a pélvis estreitava, mais ficavam prematuros e nasciam com mais memórias livres. Pela primeira vez, isso acontecia no planeta: um ser vivo tinha um mecanismo que aumentava seu espaço para dados continuamente, dando uma grande chance ao aparecimento de algoritmos como os da linguagem, da comparação, da imitação, da contagem, do reconhecimento de membros de grupo, do reconhecimento de outros animais, da multiplicação, da divisão, da soma, da proporcionalidade, e muitos outros que compõem o sistema cognitivo dos humanos que somos hoje. Este livro é a história de como o autor chegou a essa teoria e às conclusões sobre diversos assuntos controversos sobre os humanos, como o sentido da imortalidade, a ideia de Deus, o orgasmo feminino, a menopausa, a monogamia, o adultério, o sexo privado, a homossexualidade, a diversidade genética africana, dentre outros. No final, sugere uma experiência científica para transformar uma espécie de macacos em animais capazes de produzir um desenho representativo, o que os colocaria a um passo da inteligência dos humanos.
Prematuridade - O Enigma da Evolucao Humana, o que nos fez diferentes
Euripedes de Aguiar
Edições (1)
Ver maisUma nova teoria para a origem da inteligência humana
Prematuridade o enigma da evolução humana é uma obra escrita por Eurípedes de Aguiar, economista brasileiro, que decidiu mergulhar em um dos maiores mistérios da humanidade: como surgiu a inteligência humana? Mesmo sem ser especialista em biologia ou antropologia, ele dedicou mais de uma década a estudar o tema, apoiando-se em uma ampla bibliografia científica, além de vídeos, artigos e entrevistas com pesquisadores da área. Seu trabalho se destaca justamente por trazer uma perspectiva de fora do meio acadêmico tradicional das ciências biológicas, algo incomum, porém enriquecedor para o debate interdisciplinar sobre nossas origens. O ponto de partida de Eurípedes é uma inquietação legítima: as teorias tradicionais conseguem mesmo explicar de forma convincente o surgimento da mente humana, da linguagem, da consciência e da espiritualidade? Para ele, há lacunas importantes nessa narrativa. Seu livro nasce justamente da tentativa de preencher essas lacunas, buscando uma explicação mais completa ou pelo menos diferente para o aparecimento da inteligência. Ele propõe uma nova hipótese, que mistura ciência, filosofia e um toque de ousadia. O que torna o livro interessante é que ele não se perde em jargões técnicos. A linguagem é direta e acessível, mesmo quando trata de temas complexos como cognição, arqueologia, genética e evolução. Eurípedes não tenta impor sua ideia como verdade absoluta ele convida o leitor a refletir, questionar e olhar para o assunto com outros olhos. É um exercício de pensamento livre, que respeita a ciência, mas não se limita a ela. Um ponto curioso da teoria do autor é a forma como ele interpreta a prematuridade dos bebês humanos. Para Eurípedes, o nascimento antecipado em relação a outras espécies com filhotes extremamente dependentes pode ter sido um fator crucial no desenvolvimento da inteligência. Essa fragilidade exigiu um nível maior de cuidado, vínculo e comunicação entre os adultos, o que pode ter impulsionado capacidades cognitivas e sociais únicas na nossa espécie. No fim das contas, é um livro para quem gosta de pensar fora da caixa. Mesmo sem formação acadêmica na área, o autor mostra que é possível participar do debate com seriedade e criatividade. Sua teoria pode até não ser a resposta final, mas certamente é uma boa provocação. E isso, por si só, já faz a leitura valer a pena, especialmente se você tem interesse pelo tema. Recomendo o livro a todos que gostam de questionar verdades estabelecidas e se fascinam com as origens da nossa espécie.
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