O livro se inicia no dia 19 de dezembro, uma sexta-feira, anterior ao Natal. Pelo título pensei se tratar de um elogio ao ócio criativo. Afinal T.G.I.F.! (Thank´s God it´s Friday – Graças a Deus é sexta).
A história se passa em Bucareste, no final do século XIX, 1897, assim há várias situações da vida cotidiana da cidade, das querelas entre jornalistas e descrições dos atrativos da época.
Bucareste foi a capital dos Principados Unidos definido pelo Tratado de Paris após a guerra da da Crimeia. Não é atoa que Bucareste ficou conhecida como 'Little Paris' – pequena Paris. Assim por todo o enredo há mostras das influências francesas como Iulia falando francês, os jornais locais copiando Le Figaro (jornal francês), a arquitetura também lembra muito a capital francesa inclusive eles têm um Arco do Triunfo, a Victory Avenue, como a Champs Elysées e até o nome das estações de trem, Gare de Nord, por exemplo.
O livro tinha tudo para dar errado porque são 44 personagens, com nomes romenos (Costache, Neculai, Algiu...), Ah e um dos personagens trocava a letra P por B... Eu não encontrava a palavra no dicionário até descobrir! kkk e
Além disso cada capítulo tem seu próprio narrador, assim ao iniciar o capítulo você precisa identificar quem é que está falando (quando em primeira pessoa) ou de quem está falando (quando em terceira pessoa) . Nunca tinha lido um livro assim! E em inglês do século XIX a coisa complicou...
O que eu fiz foi imaginar poucos personagens, já que tinham as mesmas características, por exemplo, todos os jornalistas, na minha cabeça, eram um só. Unifiquei também todos os detetives. Não sei se foi a intenção da autora, mas deu certo para eu não me perder. A lista de personagens no início do livro com algumas características ajuda muito.
O entregador de jornal Nicu lembra Gavroche, de Les Miserables com seu jeito esperto perambulando entre os adultos. E o detetive Costache, Poirot da Agatha Cristie.
Me identifique com a jovem Iulia (fala francês, toca piano e adora ler). Ela passa a história lendo o calhamaço Vanity Fair – Feira das Vaidades - de William M. Thackeray e no dia da festa da virada (todos os personagens encheram o local kkk) ela diz, inspirada pela leitura:
“Minha previsão para o mundo vindouro é que teremos uma feira de futilidades, um mercado de vaidades. E também a mulher não mais usará espartilho”. Ela faz uma clara alusão à emancipação das mulheres algumas décadas depois.
Gostei muito da cena em que o porteiro (old man Cercel) se vê numa fotografia na capa do jornal: uma grande novidade para a época, pois a invenção data de 1826 e ele fica rindo observando os detalhes dele mesmo e do entorno.
A presença do jornal marca a influência que as NEWS têm na nossa vida, pois todos os personagens tinham como elo o jornal Universul que não gostava de tratar de política, um jeito inteligente da autora nem mencionar o ditador Ceausescu.
O melhor da história é que ela começa com Dan Kretzu (um jornalista) caído inconsciente e um jovem aristocrata ferido ambos em Bãneasa indicando um romance policial.
Porém no final você percebe que o foco não era a elucidação do crime e sim sobre o mistério do TEMPO. Não é atoa que o livro termina com a virada do ano, onde sempre há uma restrospectiva e uma janela para o futuro.