Tudo em volta está deserto - Encontros com a literatura e a música no tempo da ditadura

    Eduardo Jardim

    Bazar do Tempo
    2017
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9788569924296
    Português Brasileiro

    Eduardo Jardim (Prêmio Jabuti 2016) apresenta um ensaio que aborda três momentos da produção literária e musical no Brasil, percorrendo o fim dos anos 1960, os anos 1970 e o início da década seguinte: o romance Quarup, de Antonio Callado, o espetáculo Gal a todo vapor, e os escritos de Ana Cristina Cesar, até 1983. Uma interrogação é feita ao longo de todo o livro: qual significado a literatura e a música tiveram para um grupo de jovens que atravessava aqueles momentos cruciais da história brasileira? Quarup, lançado em 1967, é uma reação ao golpe militar e expressa os anseios e perplexidades dos opositores do regime, exprimindo a forte tensão entre o apelo da militância política e a postura questionadora de todas as soluções à vista. O show Gal a todo vapor foi montado no período mais duro da ditadura, em 1971, depois do AI-5. Ele tinha um poder catártico e ocupou uma posição singular no cenário artístico da época. Já os escritos de Ana Cristina manifestam uma demanda de interlocução. Não se referem diretamente ao que se passava na política. Essa abordagem original faz com que o livro não seja apenas uma crônica dos acontecimentos, mas um convite à reflexão sobre temas que transcendem todas as épocas - diferentes maneiras de se experimentar a relação da arte com a vida. Tudo em volta está deserto não deixa de ser o depoimento de alguém que viveu com intensidade o seu tempo.

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    Berttoni Licarião12/11/2019Resenhou um livro
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    Os três ensaios que compõem ‘Tudo em volta está deserto’ guardam todas as características do gênero: são predominantemente pessoais, pouco preocupados com rigor científico e servem, especialmente, como contato inicial com o tema. Abordam a relação arte/ditadura em três momentos balizados pelo AI-5: antes, com a publicação de Quarup, de Antonio Callado, em 1967; durante a vigência do ato e recrudescimento da censura, com o show “Gal a todo vapor”, de 1971; e, por fim, durante a distensão com a produção poética, acadêmica e missivista de Ana Cristina César. . 📖 . O texto busca entender “qual significado a literatura e a música tiveram para um grupo de jovens que atravessava aqueles momentos cruciais da história brasileira?”, mas as chaves de Jardim são muito mais suas impressões pessoais do que qualquer pesquisa sobre público, impacto, recepção crítica, etc. Em síntese, o autor lê Quarup como “uma forma de intervenção”; ao show da Gal associa uma “função catártica”; e, por fim, as explorações formais e estilísticas de Ana C. teriam sido decorrentes da investigação subjetiva de uma poesia que se fez íntima e confessional após a repressão. . 📖 . Jardim entrega um resumo bastante literal de Quarup, restrito ao andamento da trama e algumas conexões com a experiências de vida de Callado. O cap. sobre “Gal a todo vapor” é o menor e mais frustrante, uma descrição técnica dos envolvidos com a produção e origem das músicas. Por fim, a última parte sobre Ana C. César talvez seja a mais interessante (não à toa, é a mais longa): traz um histórico dos caminhos e trabalhos da autora, com contribuições de cartas e textos acadêmicos que servem muito bem como porta de entrada à sua obra. Vale a pena para quem quer conhecer um pouquinho desses três momentos da produção cultural brasileira sem precisar comprar três livros diferentes. Mas não recomendo a quem pesquisa o período ou as obras em questão.

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