Nem toda a realidade é objetiva; parte dela é subjetiva.
A Redescoberta da Mente (Coleção Tópicos) -
John R. Searle
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John R. Searle, filósofo da linguagem e da mente, pretende apresentar uma visão crítica e inovadora acerca do problema mente-corpo, que seja uma alternativa tanto às concepções materialistas quanto às dualistas (Searle, 1997). Nesse sentido, Searle recorre a argumentos biológicos para defender a tese de que a mente/cérebro possui uma intencionalidade intrínseca, a qual também se expressa em termos lingüísticos. Além da intencionalidade, Searle propõe uma teoria da mente que leve em consideração a questão da consciência. Esta, por sua vez, também seria intrínseca à mente/cérebro. De acordo com Searle, "os fenômenos mentais são causados por processos neurofisiológicos no cérebro, e são, eles próprios, características do cérebro" (Searle, 1997, p. 7). O autor defende, portanto, uma concepção que denomina "naturalismo biológico". Sua proposta pretende abarcar questões que se situam tanto no campo das neurociências quanto nos da psicologia e da filosofia. Para Searle, a consciência é tão física quanto mental, uma vez que a característica de "ser mental" implica necessariamente "ser físico". Ainda de acordo com o filósofo, qualquer investigação sobre a mente deve apontar necessariamente para o estudo da consciência. Dentre as principais características da consciência, uma parece ser fundamental para o seu estudo: a perspectiva em primeira pessoa. Em outras palavras, pode-se afirmar que a consciência é sempre subjetiva, relativa a um "eu". Dessa forma, Searle critica severamente o uso da perspectiva em terceira pessoa nas pesquisas sobre a consciência; nesse sentido, não se trata de abandonar o estudo objetivo do comportamento, mas de reconhecer que o comportamento por si só não é suficiente para descrever a consciência, dado o caráter subjetivo desta. Dentre outras características da consciência relacionadas por Searle (1997), podemos destacar: 1) a presença de modalidades finitas (os sentidos da visão, audição, tato, olfato, paladar, equilíbrio e propriocepção; além do fluxo de pensamento); 2) a unidade (que envolve uma experiência total, i. e., a soma das imagens parciais em uma mesma unidade num mesmo período de tempo); 3) a intencionalidade (i. e., a qualidade de "ser acerca de alguma coisa"); 4) o seu aspecto gestáltico (i. e., sua capacidade de focalizar a atenção entre figura e fundo); 5) a familiaridade (que permite reconhecer uma determinada cena ou objeto como pertencente à vivência subjetiva de determinada pessoa); 6) a dimensão prazer/desprazer. LYRA, Carlos Eduardo de Sousa. O inconsciente e a consciência: da psicanálise à neurociência. Psicol. USP [online]. 2007, vol.18, n.3 [citado 2020-04-08], pp. 55-73 . Disponível em: . ISSN 1678-5177.
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