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    Poesia de geladeira -

    Viviane de Freitas

    Editora Moinhos
    2017
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9788592579258
    Português Brasileiro
    3.6
    21 avaliações
    Leram18Lendo0Querem8Relendo0Abandonos0Resenhas4
    Favoritos2Desejados8Avaliaram21

    “Poesia de Geladeira” é um soco no estômago. E se você é leitor de tira-gosto ou imaginou poemas com um quê de recadinhos colados à porta esmaltada, se enganou: a poesia aqui se come fria e crua. São poemas de dentro da geladeira, não de fora. Viviane de Freitas estreia na literatura com um livro dedicado aos analfabetos, disléxicos, cegos, dementes, bárbaros, bêbados e gagos, porque, ao que parece, somente eles não ignoram as extremidades, essa camada de gelo que protege e preserva o núcleo da ideia num corpo invadido e sempre em processo de deterioração. Essa destinação diz muito do ponto de partida: o lirismo não sentimental e consciente de que tudo é sacrifício e descrença, tudo é morte e dificuldade, porém de ombros erguidos. Literatura em/de carne viva. Escritura que não se rende ao artifício. Arte. E aí dá pra encarar? Se sim, aviso: venha com mãos de alcançar funduras, porque elas terão de enfrentar poemas que não economizam o olhar direto e afiado às coisas que rodeiam – se se fala de morte, é para esclarecer que “morrer é caro e eu estou sem crédito”; se se fala de poesia, é para encontrá-la “sob o lodo da pia / a poesia / natimorta / gorduras e bacias”. Se é para olhar o outro, é para denunciar a conta sempre inexata que se faz à mesa no poema “quatro”. São poemas que [se] cortam e ficam, em pé, vendo sangrar. Se você ainda está aqui, certamente, tem dentes fortes, de quebrar “rimas agridoces para a fome noturna”. Talvez seja como eu, um leitor de acostamentos. Ou como ela, uma poeta que, contaminada de poesia, diz: “fecho os olhos para a vida que tenho / rastejo em direção à utopia”. Se utopia não, ternura sim, e é isso que faz oscilar a temperatura do congelador: “morrer me seduz / só falta criar coragem de cortar raiz / a poesia puxa a gente pra debaixo da terra / aí a gente fica assim, semeada, sem vontade de largar esse mundo besta”. Meia verdade: o mundo fica menos besta, mais real e palpável, depois desse livro. Mas não se engane, “poesia de geladeira” é, sim, um soco no estômago. E aí dá pra encarar? Geruza Zelnys

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    Resenhas (4)Ver mais
    gragra picture
    gragra10/05/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Poesia de geladeira

    Confesso que comecei a ler por causa da capa que tem pinguim🐧. Difícil dizer se amei ou odiei, bem 8 ou 80. Algumas partes me identifiquei e gostei de alguma forma, mas grande parte diria que não gostei, talvez li no momento errado ou não entendi algumas partes. Enfim, vai minha avaliação de 4 🌟

    6 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.6 / 21
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas24%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas0%
    Viviane de Freitas profile picture

    Viviane de Freitas

    Viviane de Freitas é uma pessoa que escreve para sobreviver. Jornalista, poeta e tradutora do amor na @escrevaumacartapramim, é também mestra em Divulgação Cultural pela Unicamp e especializada em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP. Autora dos livros Poesia de Geladeira (Moinhos, 2017) e Ainda Sem Respirar (Fábrica de Cânones, 2022).

    2 Livros
    1 Seguidor
    São Paulo, Brasil

    Viviane de Freitas