Contos Insólitos (Clássicos do Horror #11) -

    Franz Kafka, Edgar Allan Poe, Charles Baudelaire

    TRIUMVIRATUS
    2016
    61 páginas
    2h 2m
    ISBN-10: B01EZMZBFM
    Português Brasileiro

    Há coisas estranhas, extravagantes, excêntricas que nos arremessam a paisagens oníricas e circunstâncias absurdas. Há, em síntese, coisas insólitas. Um homem tem a sua liberdade tolhida por uma obra de arte valiosa e disputada: uma tatuagem na própria carne (“A Tatuagem”, de Saki). Durante a Guerra Hispano-Americana, um misterioso porta-bandeiras pratica uma heroica ação (“D.Q.”, de Rubén Darío). Um excêntrico médico emprega um método nada ortodoxo para “curar” uma velha senhora (“Meu Ilustre Amigo Selsam”, de Erckmann-Chatrian). Um homem tem um cérebro de ouro, fado o que o torna imensamente rico, mas o sujeita a uma existência adversa (“A Lenda do Homem do Cérebro de Ouro”, de Alphonse Daudet). A filha de um famoso escultor nasce com pernas de mármore (“As Pernas de Mármore”, de Carlos Mesía de la Cerda). Meio gato, meio cordeiro, um animal parece humanizar-se na angústia de sua híbrida e contraditória existência (“O Ente Híbrido” de Franz Kafka). Um povo, cujos governantes se curvam ao terrível domínio de estrangeiros bárbaros e nômades, enfrenta um destino de atribulações que parece desconhecer os verdadeiros opressores (“O Velho Manuscrito” de Franz Kafka). Tudo o que aquele pobre homem quer é que acreditem que ele está realmente morto (“O Homem Morto”, de Leopoldo Lugones). Um Demônio conta uma fábula sufocante, primorosa. E descreve com maestria toda a angústia e desolação de um ambiente onírico, tétrico e convulso, dominado por entes excêntricos (“Silêncio — Uma Fábula”, de Edgar Allan Pöe). Um poema em prosa em que, antecipando o profundo e desolado mundo de Franz Kafka, o grande poeta francês medita sobre o terrível fardo da existência (“Cada Qual com a sua Quimera”, de Charles Baudelaire).

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    Maria Eduarda02/07/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Muito bom.

    Contos Insólitos foi uma leitura inesperadamente profunda. Comecei acreditando que seria uma experiência diferente e terminei com o coração e a mente cheios de reflexões. A coletânea nem sempre é equilibrada, tem contos que me tocaram muito pouco, mas os que me atingiram, me atingiram fundo. Contos Destaques: “Cada Qual com Sua Quimera” – Charles Baudelaire: duas páginas, impacto gigante. Um conto sobre dores invisíveis que todos carregamos, sem saber para onde vamos. Achei muito interessante como ele representa muito bem os pesares do nosso cotiadano com as suas quimeras. O conto lembrou o meu poema preferido, Versos Íntimos de Augusto dos Anjos, então criei um carinho por ele, fora que acho ambos os textos um grande tapa na cara. “Um Velho Manuscrito” – Franz Kafka: crítica política sutil e poderosa. Apatia social, o absurdo tomando conta de tudo e ninguém reage. Acho um conto certeiro dentro da nossa atual sociedade, nos mostrando como a falta de posicionamento, a passividade, é um problema tão sério, fora que notamos também a negligência e o autoritarismo. Kafka não erra. “Silêncio – Uma Fábula” – Edgar Allan Pöe: quando o silêncio é mais destruidor que o barulho. Um conto curtíssimo e simbólico que fala sobre o medo do vazio e da espera. Sensacional é como resumo, a verdade de como o silênio perturba mais a mente humana do que o barulho e algo não tão fácil de engolir, gosto muito do que Pöe fez aqui. "O Homem Morto” – Leopoldo Lugones: até a morte precisa ser validação. Forte, existencial e irônico. Totalmete aplicável na nossa realidade, novamente um tapa na cara, a busca incasável por ser enxergado e validado. Nem todos os contos me agradaram , pois alguns pareceram vazios ou rasos, mas mesmo assim serviram como contraste para destacar o que realmente importa numa boa leitura: o impacto, e não o tamanho. De qualquer forma, mesmo diante de alguns contos mais fracos, acho a leitura muito importante. Uma coletânea que me fez refletir sobre dor, silêncio, rotina, ausência e o fardo de viver. Kafka, Pöe e Baudelaire foram os gigantes da experiência. Recomendo muito pra quem gosta de contos curtos com profundidade simbólica e existencial. Fico nas três estrelas porque nem todos me agradaram.

    1 curtida

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