O abismo entre nós -

    Cris Vazquez

    Moinhos
    2017
    198 páginas
    6h 36m
    ISBN-13: 9788592579562
    Português Brasileiro

    “O abismo entre nós” fala de amor. Não apenas do amor romântico e sensual, próprio dos amantes. Cris Vazquez nos presenteia com um texto elegante onde escreve sobre o amor à literatura, à arte, ao rock e a um ideal a ser perseguido. Já foi dito, e escritores concordam, sobre a angústia de carregar uma história que quer ser contada. Com Florence não é diferente. E escritores conhecem o limite, o momento da dúvida, em que desistem porque não se sentem mais aptos a criar uma obra relevante. Como acontece com Horácio. Ao longo do livro, o embate entre Florence e Horácio transforma-se numa analogia do que ocorre dentro da cabeça de um autor. As frases que estimulam a escrita em abismo, os trechos dos diários, as críticas ácidas, correspondências e as situações de encontros e desencontros entre as personagens são ricos materiais para compreender as nuances que compõem o fazer literário. Vinte anos é muito tempo para quem espera? E para quem se dedica a uma causa? Por vezes se tem vontade de sacudir Florence, mandá-la longe, exatamente quando queremos negar uma ideia que nos persegue sem encontrar vazão. Mas é da persistência de Florence que nasce o gosto pela escrita, este sentimento irresistível que nos faz perder dias de sol e noites de sono, testando frases, diálogos e bolando desfechos em frente ao computador, sem que ninguém nos obrigue a isso. Dedicação é a forma mais fiel de amor. Irka Barrios

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    Taiane Santi Martins23/09/2021Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Como um bom exercício em abismo, o romance de estreia de Cris Vazquez, te faz mergulhar por diversas camadas e temáticas. Para mim, poderia ter sido o amor, como nos apresenta Irka Barrios na orelha, não apenas o amor romântico e sensual, mas principalmente o amor à literatura e à arte. Poderia ter sido o próprio exercício en abyme, a proposta epistolar, a intimidade dos diários, a diversidade dos contos, ou a junção de tudo isso. Poderia ter sido a insistência, ou a dedicação. Poderia ter sido as ruas, ou os bairros, a familiaridade da ilha onde morei por 9 anos, mas foi a incomunicabilidade que me fisgou e me fez atravessar todas essas camadas. A construção de dois personagens cujo o grande amor se dá e se direciona pelas palavras, dois personagens tão desejosos da palavra escrita que deixam de lado a comunicação numa trama estruturada no próprio ato de se comunicar. Florence adereça seus escritos para Horácio, mas conversa com ela mesma. Horácio se esquiva e ainda assim insiste na troca, ainda que não exista troca alguma. É na impossibilidade, na pausa, nos hiatos de comunicação que a história desses dois se constrói. Assim como Florence, percorri as páginas de O abismo entre nós ansiosa pela conexão da troca, mas foi em sua impossibilidade que encontrei as piscadelas mais intrigantes.

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