Assim a vida passa (Coleção Alfaiate) -

    Elena Guro

    Arte & Letra
    2017
    52 páginas
    1h 44m
    ISBN-13: 9788560499915
    Português Brasileiro

    Guro traz em sua obra muitos elementos do populismo russo, movimento literário que buscava encontrar uma identidade genuinamente russa, excluindo as influências europeias e aproximando os temas do cotidiano. O foco das narrativas sai da aristocracia e desloca o olhar para o povo russo, as classes mais baixas e desfavorecidas. No entanto, Guro, como tantas mulheres na literatura, estava à margem do movimento, essencialmente masculino. O que por um lado pode ter sido prejudicial para sua obra e reconhecimento, também é uma possibilidade de ruptura dessa estética vigente. O que podemos ver nos textos de Guro, principalmente em relação à linguagem que ela usa. Elena Guro foi uma das poucas mulheres no início do futurismo russo, e publicou três livros em vida, The Hurdy-Gurdy (de onde foi retirado o texto Assim a vida passa), Autumnal Dream e The Poor Knight. The Last Camels of the Sky (que contém os textos Manhã e Primavera) foi publicado em 1914, pouco depois de seu falecimento. O livro faz parte da Coleção Alfaiate, costurados a mão e com capa em serigrafia sobre tecido montados e numerados um a um.

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    Carolina Rodrigues22/04/2020Resenhou um livro
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    Lido: Assim a vida passa {1909-1914} Autora: Elena Guro {Rússia, 1877-1913} Tradução: Gabriela Soares Editora: Arte e Letra 52p. Durante muito tempo, a arte moderna foi vista, por grande parte do público, como uma piada sem graça. Frente à escultura "Equivalente III", de Carl Andre ou ao mictório "Fonte", de Marcel Duchamp, era comum pensar: isso é arte? Ainda hoje escutamos ecos dessa desconfiança em exposições contemporâneas. Com várias categorias de ismos - impressionismo, primitivismo, cubismo, futurismo, dadaísmo, surrealismo, expressionismo etc. - a arte moderna não impactou apenas a pintura, as artes plásticas. A literatura, por óbvio, não ficou de fora da onda de inovações e experimentações artísticas do início do século XX. O cubofuturismo é um destes movimentos híbridos. No contexto da Revolução Russa, a ideia de que os artistas russos haviam absorvido tudo que a arte europeia ocidental tinha a oferecer e agora estavam prontos para desenvolver sua própria concepção de arte era bastante incentivada pelos bolcheviques. Uma arte russa, progressista, revolucionária, um manifesto político e artístico. Elena Guro foi poeta, pintora, editora e integrou o grupo de artistas de São Petersburgo, pioneiro no cubofuturismo russo. Sua escrita é bastante visual e sinestésica, como se vê no trecho, "As luzes queimavam e brilhavam. Como se caíssem de uma só vez." p. 22 Até então inédita no Brasil, esta edição da Arte e Letra apresenta três textos da autora ao público brasileiro: 'Assim a vida passa', 'Manhã' e 'Primavera'. São textos experimentais, voltados à natureza e à observação de si. É sempre bom conhecer o trabalho de artistas mulheres, de vanguarda. Ler livros experimentais traz, invariavelmente, uma carga de desafio, de sair da zona de conforto. A linguagem é fragmentada, modernista. Elena Guro vale o esforço.

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