O Ódio ao Ocidente -

    Jean Ziegler

    Círculo Leitores
    2012
    328 páginas
    10h 56m
    ISBN-13: 9789896442071
    Português

    Aonde quer que se deslocasse, no exercício das suas funções internacionais, Jean Ziegler constatou a hostilidade que os povos do Sul manifestavam em relação ao Ocidente, o que inviabilizava por vezes a adoção de certas medidas de auxílio aos que dele mais precisavam. O ódio que os países do Sul sentem pelo Ocidente, resultado de um passado colonial e esclavagista, longe de se apaziguar com o tempo, tem-se consolidado e manifestado sob formas diversas, sem que os países ocidentais pareçam querer prestar-lhe a atenção devida. Por isso, identificar as raízes desse ódio, e refletir nos meios adequados para o extirpar, tornou-se uma questão de vida ou de morte para milhões de homens, mulheres e crianças no globo. Como convencer o novo capitalismo globalizado a deixar de sujeitar o resto do mundo à sua dominação? Como levar o Ocidente a assumir as suas responsabilidades? Como conseguir que o estado de direito não seja rejeitado no Sul devido às injustiças que são cometidas em seu nome? Em que condições poderá o diálogo ser reatado? Jean Ziegler procura responder a estas perguntas fazendo-se valer do seu percurso profissional, rico em experiências no terreno - da Nigéria à Bolívia, das salas de conferência internacionais às aldeias mais esquecidas do planeta - de uma forma sempre vibrante e empenhada.

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    Antônio Carlos Tórtoro15/10/2012Resenhou um livro
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    SEKUNJALO ?

    “Raramente, na História, os povos do Ocidente testemunharam tanta cegueira, tanta indiferença, tanto cinismo como hoje. Sua ignorância em relação às diversas realidades é impressionante. E assim se alimenta o ódio”. Jean Ziegler Antes de iniciar a leitura do livro Ódio ao Ocidente, de Jean Ziegler — que nasceu na Suíça, em 1934, frequentou as universidades de Berna e Genebra, fez-se duplamente doutor (Direito e Sociologia), exerceu a docência em seu país e na França (Genebra, Sorbonne e Grenoble) e articulou o seu profícuo trabalho intelectual (expresso também em mais de 20 livros, traduzidos em vários idiomas) — tome um, ou dois comprimidos de Plasil para suportar a náusea que qualquer pessoa sensível sentirá ao percorrer as 270 páginas que mostram “ com detalhes impressionantes como a atual ordem econômica mundial, imposta pelas oligarquias do capital financeiro ocidental, é o produto de sistemas de opressão anteriores, incluindo o tráfico de escravos e a exploração colonial, e sobre a qual Ziegler indaga, entre tantas coisas, como responsabilizar o Ocidente e obrigá-lo a respeitar os próprios valores que proclama”. Seguem algumas afirmativas de um cidadão do mundo que, entre 2000 e 2008, foi consultor da ONU e corajosamente escreveu Direito à alimentação e, depois, foi eleito para o Conselho de Direitos Humanos da instituição ( um espinho na garganta das grandes potências, das transnacionais e de agências como o FMI e o Banco Mundial): “ A cada cinco segundos, uma criança com menos de dez anos de idade morre de fome “ ; “Na África Subsaariana, cerca de quinhentas mil mulheres morreram no parto em 2007” ; “...a OMS calcula que cerca de 70% dos medicamentos vendidos na África Ocidental são falsificações sem garantias alguma de segurança ou de qualidade” ; “ É que as políticas desastrosas que conduzem ao subdesenvolvimento crescente dos países mais pobres, como as praticadas pelas potências ocidentais e retransmitidas pelos seus mercenários da OMC e do FMI, ainda persistem” ; “...nunca a distância entre as declarações e as práticas reais alimentou tanto ódio” ; “Quanto mais rico você for, mais acima da lei você se encontra ( KenSaro Wiwa – o Martin Luther King do delta do rio Níger) “ ; “ A população total de astecas, incas e maias era de 70 a 90 milhões de pessoas quando os conquistadores chegaram. Entretanto, um século e meio depois, restavam apenas 3,5 milhões “ ; “Mas é preciso que se saiba que os filhos e filhas, netos e netas dos agentes das SS, da Gestapo, dos ustashes, dos Guardas de Ferro romenos, são donos dessas suntuosas fazendas, criações de gado, frotas de barcos do rio Paraguai, indústrias químicas” ; “Evo Morales é o inimigo a ser batido, na opinião dos ustashes. Ele os priva de seus privilégios, ameaça suas fortunas e lhes impõe o respeito das liberdades democráticas” ; “Até em Santa Cruz (Bolívia) , os ustashes e outros nazistas dominam três organizações-chave: a Câmara de Comércio e de Indústria, o Comitê Cívico e a União dos Jovens de Santa Cruz “ ; “...o FMI impõe, de tempos em tempos, aos mais pobres, programas chamados “de ajustamento estrutural”. Na prática, todos esses planos privilegiam a agricultura de exportação, em detrimento das culturas de subsistência” ; “Desse ponto de vista, o FMI é o guardião impiedoso dos interesses dos bancos credores e das grandes corporações multinacionais do Ocidente”; “...para encher um tanque de um automóvel médio que funciona com bioetanol, é preciso queimar 358 quilos de milho e que, com 358 quilos de milho, uma criança no México ou na Zâmbia (onde o milho é o alimento de base) vive um ano inteiro” . Em Ódio ao Ocidente, Ziegler fala sobre escravidão (inclusive a atual) de crianças, massacres e exploração coloniais (ainda ocorrem), a cretinice de Sarkozy, realidade da China e índia, a máfia de Abuja, Biafra, farsas eleitorais, corrupção, sangue, lixo, hipocrisia, e conclui ; “Se, ao longo dessas páginas, insistimos tanto sobre a necessárIa reconstrução da memória, é porque, nas suas culturas nativas, nas suas identidades coletivas, nas suas tradições é que os povos do Sul lançarão mão da coragem de ser livres”. E fica a pergunta : quando isso acontecerá ? Como fazia Nelson Mandela , na campanha eleitoral, em seus discursos durante as primeiras eleições livres de toda a história da África do Sul, concluímos: Sekunjalo! — termo xosa que significa “Agora” . ANTONIO CARLOS TÓRTORO www.tortoro.com.br acartor@yahoo.com

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