Teatro Flutuante foi uma aventura
Adquiri esse livro num sebo. Bom, o que depois percebi ser o 1º volume, pois a coleção Saraiva dividiu em dois (números 170 e 171). Comecei a ler o primeiro volume e precisei comprar o segundo para terminar a história, pois me prendeu. Nos seus dezenove capítulos ao todo, o livro trata da história de três gerações da família Hawks / Ravenal, que circundam o teatro e em especial o Palácio Teatro Flutuante Flor do Algodão, um navio que apresenta espetáculos enquanto circula pelas cidades ribeirinhas do Sul e do Meio-Oeste estadunidense do fim do século XIX e início do XX. Cenas bucólicas, numa atmosfera bem construída, na qual os rios, especialmente o Mississipi, ganham ares de personagem. Percebe-se também a transformação da sociedade e da tecnologia nos EUA ao longo das décadas em que a história se desenrola. Consegui visualizar vividamente personagens emblemáticos como o Comandante Andy, Parthenia Hawks, Magnólia, Gaylord Ravenal, Julie Dozier, Jo e Queenie, etc. Há também uma forte presença da questão racial, que aparece nas descrições de variadas situações, mostrando a cultura negra (como as canções spirituals) e também a segregação. Há referências ao uso do black face por atores brancos, separação de assentos no teatro entre brancos e negros, etc. A questão aparece também debatida num capítulo chave envolvendo a proibição dos casamentos inter-raciais, numa virada bastante emocionante. Embora haja claramente um tom crítico da autora (Edna Ferber) contra os absurdos preconceitos raciais pós-guerra civil, há também reprodução de algumas visões estereotipadas (leve-se em conta que o próprio livro é de 1926). No geral, uma leitura que me prendeu, construindo em mim cenas muito nítidas em variados ambientes interessantes, que foram desde o interior profundo do Sul norte-americano, a vida dentro de um teatro flutuante, até as casas de apostas e a pulsante Chicago do início do século XX. Recomendo a leitura!


