História: A Arte de Inventar o Passado - Ensaios de Teoria da História

    Durval Muniz de Albuquerque Júnior

    Prismas
    2017
    290 páginas
    9h 40m
    ISBN-13: 9788555077302
    Português Brasileiro

    O conhecimento histórico é perspectivista, pois ele também é histórico e o lugar ocupado pelo historiador também se altera ao longo do tempo. Nem sempre se fez a História do mesmo jeito, e ela serviu a diferentes funções no decorrer do tempo. O historiador não pode escamotear o lugar histórico e social de onde fala, e o lugar institucional onde o saber histórico de produz. Por isso, a história, como metanarrativa, está em crise. A metanarrativa se faz a partir de um sujeito de discurso que, o pretexto de falar do lugar da ciência, sobrevoaria a História e poderia falar de fora dela, ter uma visão global, de conjunto e não comprometida com os embates do momento. Ilusões que Bouvard e Pécuchet podiam ainda ter no século passado, mas os historiadores hoje já admitem que o se alojar no passado não é nenhuma garantia de imparcialidade, simplesmente porque ela é impossível.

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    Marney Garrido10/04/2021Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Estilo provocativo

    A obra do autor se divide em três partes. A primeira aborda a relação entre História e Literatura, buscando traçar novos caminhos da prática de escrita da História; algo válido em tempos em que, cada vez mais, precisa que a produção historiográfica ganhe novos contornos para poder se aproximar mais das camadas sociais, tornando-se mais fluída, mais atrativa. A segunda parte aborda a influência da obra de Foucault na História e na escrita do próprio autor. É interessante enquanto procura explicar o método do autor francês em comparação com outras linhas da prática historiográfica. Já a terceira parte é formada por textos avulsos, sem conexão entre si. Uma compilação de artigos que abordam vários assuntos. O que mais chama atenção é seu capítulo sobre uma leitura "safada" de Thompson. Onde o autor teve como objetivo demonstrar, sem desmerecimento do autor inglês, o quanto as contradições do trabalho de Thompson podem ser exploradas em busca de novos horizontes para historiografia. De forma geral, o estilo provocativo de Durval, engraçado as vezes, possibilita repensar nossa escrita e querer ampliar nossos horizontes tornando a prática historiográfica mais próxima de seu lado artístico que, infelizmente, tem se perdido.

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