Atrevido, absurdo, irônico, moderno, o romance de Aquiles Tácio reflete de forma lapidar as convenções retóricas e literárias da sua época. Observador e analista da natureza humana, reconverte o antigo Pathos trágico em Pathos dramático, concebendo as suas personagens em termos mais realistas, mais humanos e mais realistas, mais humanos e mais complexos do que os seus antecessores. Maneja com arte a ironia e a inquietação, ora lançando o leitor em aventuras rocambolescas e inverosíméis, ora fazendo a análise psicológica do beijo, do amor e de outras reações eróticas. Esta arte especular confere a Leucipe e Clitofonte um cunho maneirista e moderno que visa os núcleos mais complexos da experiência humana. Talvez por tudo isso, a crítica literária bizantina tenha julgado tão severamente o autor, remetendo-se paro o index dos autores eróticos.

