Oração aos Moços é um discurso escrito por Rui Barbosa para paraninfar os formandos da turma de 1920 da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Impedido de comparecer, por problemas de saúde, o texto foi lido pelo professor Reinaldo Porchat. Uma das mais brilhantes reflexões produzidas pelo jurista sobre o papel do magistrado e a missão do advogado. O autor faz um balanço de sua vida como advogado, jornalista e político, como exemplo para as novas gerações.
Oração aos Moços -
Rui Barbosa
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Ver maisNão há justiça, onde não haja Deus.
Esse livro é um discurso feito pelo Rui Barbosa em uma formatura de Direito, em 1920. Rui Barbosa é uma figura notável no universo jurídico, sua contribuição para nosso atual ordenamento jurídico é inestimável e através desse livro podemos ver sua grandiosidade e seu amor pela pátria brasileira. Ele foi um advogado militante de um conhecimento gigantesco, tendo exercido diversos cargos políticos. “Em 1890 D. Pedro II diz: ‘Nas trevas que caíram sobre o Brasil, a única luz que alumia, no fundo da nave, é o talento de Ruy Barbosa.’.” Através desse livro o conceito de igualdade material foi difundido no Brasil, momento em que Ruy Barbosa determinou que os iguais devem ser tratados igualmente e os desiguais desigualmente, na medida de sua desigualdade. A partir daí diversos direitos e deveres surgiram e que compõem nossa sociedade atual. O livro é bem curtinho, mas muito complexo. Nele podemos ver como Ruy enxergava o Direito e qual era a bagagem que carregava, sendo uma pessoa de uma vasta experiência na área. Podemos ver também que Ruy era cristão e colocava Deus acima de tudo. Eu gostei muito! “Para o coração, pois, não há passado, nem futuro, nem ausência. Ausência, pretérito e porvir, tudo lhe é atualidade, tudo presença.” “não: o coração não é tão frívolo, tão exterior, tão carnal, quanto se cuida. Há, nele, mais que um assombro fisiológico: um prodígio moral. E o órgão da fé, o órgão da esperança, o órgão do ideal. Vê, por isso, com os olhos d'alma, o que não vêem os do corpo. Vê ao longe, vê em ausência, vê no invisível, e até no infinito vê. Onde pára o cérebro de ver, outorgou-lhe o Senhor que ainda veja; e não se sabe até onde. Até onde chegam as vibrações do sentimento, até onde se perdem os surtos da poesia, até onde se somem os vôos da crença: até Deus mesmo, inviso como os panoramas íntimos do coração, mas presente ao céu e à terra, a todos nós presentes, enquanto nos palpite, incorrupto, no seio, o músculo da vida e da nobreza e da bondade humana.” “Amigos e inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nos bem. Outros nos almejam o bem, e nos trazem o mal.” “A vida não tem mais que duas portas: uma de entrar, pelo nascimento; outra de sair, pela morte. Ninguém, cabendo-lhe a vez, se poderá furtar à entrada. Ninguém, desde que entrou, em lhe chegando o turno, se conseguirá evadir à saída.” “A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do orgulho, ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real.” “Não é lei a lei, senão quando assenta no consentimento da maioria, já que, exigido o de todos, desiderandum irrealizável, não haveria meio jamais de se chegar a uma lei.”
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