Cura e libertação pelas Sagradas Escrituras -

    Denis Duarte

    Editora Canção Nova
    2017
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-13: 9788576778912
    Português Brasileiro

    Este livro nos apresenta os ensinamentos, curas e libertações de Jesus pela perspectiva do Evangelho segundo São Marcos, para que possamos entender e conhecer melhor a Jesus, assim estaremos mais preparados para ouvir o seu chamado, entrar no seu caminho e dar início a esse extraordinário processo de cura e libertação em nossa vida.

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    João Vítor Ribeiro de Oliveira09/02/2025Resenhou um livro
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    A cura e a libertação são consequências de nossa escolha

    O Evangelho Segundo São Marcos, tem como missão principal a de nos ensinar sobre a identidade de Jesus Cristo, o Filho de Deus, sobretudo através dos relatos de Seus ensinamentos, dos processos de cura e libertação por Ele realizados e de Sua Paixão. Nesse sentido, a obra “Cura e libertação pelas Sagradas Escrituras”, do estudioso bíblico e professor Denis Duarte, vem com o intuito de nos ajudar a compreender a cura e a libertação realizadas por Jesus, descritas nos três primeiros capítulos do Evangelho supracitado, e como relacionar os ensinamentos delas advindos à nossa vida. Contudo, somos também convidados a refletir que, o sentido último das atividades de Jesus na Terra, e, por sua vez, da missão apostólica da Igreja, não são os trabalhos de cura e libertação, mas sim a pregação da Boa-Nova: que Ele fez-se homem, sofreu e morreu por nós, para a salvação dos nossos pecados. Não por coincidência, de forma semelhante propõe o texto de São Marcos – “Evangelho” é uma palavra grega que significa Boa-Nova. Como já dito linhas acima, a cura e a libertação são, em si, um processo; e, como todo processo, é fundamental que sejam realizadas várias ações para que o resultado seja alcançado, sendo uma delas a confissão sincera dos pecados (DUARTE, Denis. Cura e libertação pelas Sagradas Escrituras. São Paulo: Canção Nova, 2017. E-book). É através do sacramento da confissão que o indivíduo, após sincero exame de consciência, assume a condição de pecador, arrepende-se verdadeiramente de seus pecados e reconcilia-se com Deus e a Igreja, experimentando a graça e a misericórdia do Senhor. Ressalte-se, porém, que receber aquele sacramento deve ser um ato contínuo, pois possibilita o perdão das faltas cometidas e fortifica a fé. E essa reconciliação, por fim, ajuda a preparar o terreno para que as curas e as libertações dos males, físicos e espirituais, possam acontecer, visto que nos aproxima mais de Deus. Caminham, junto ao sacramento da confissão, mais duas coisas importantíssimas: a conversão espiritual e a fé na Palavra de Deus. Como bem ensina Duarte (Cura e libertação pelas Sagradas Escrituras. São Paulo: Canção Nova, 2017. E-book, p. 16), conversão significa a mudança de caminho, pois, em certo momento da vida, Jesus nos faz um convite: segui-Lo ou continuar na velha estrada que nos distancia da vida eterna. Ora, se optarmos pela primeira escolha, é preciso, sobretudo, fortalecer o nosso coração com a fé, combustível essencial para enfrentar as tentações do Inimigo e as provações divinas que virão. Sem ela, ainda que tenhamos escolhido Jesus, o próprio Caminho (cf. Jo 14,6), simbolizado pela conversão, inevitavelmente seremos desviados para aquela outra direção, que conduz ao pecado e à morte. Duarte salienta outra questão importante, que diz respeito a dois dos principais meios para se manter no Caminho e alimentar a fé, qual seja, conhecer os ensinamentos de Jesus e colocá-los em prática. E, para isso, temos que, primeiramente, buscar as Sagradas Escrituras, a base de toda a fé cristã e a doutrina da Igreja Católica (Cura e libertação pelas Sagradas Escrituras. São Paulo: Canção Nova, 2017. E-book, p. 26), a Igreja a quem foi dada autoridade pelo próprio Cristo para transmitir ao mundo a Boa-Nova. E esse conhecimento está associado de modo intrínseco à cura e libertação. Um dos exemplos bíblicos que comprova isso é a cura do homem leproso, cuja saúde foi restabelecida por meio do toque e da Palavra de Jesus: “[...] Aproximou-se dele um leproso, suplicando-lhe de joelhos: ‘Se queres, podes limpar-me’. Jesus compadeceu-se dele, estendeu a mão, tocou-o e lhe disse: ‘Eu quero, sê curado’” (cf. Mc 1, 40-41). Além de usar a Palavra, ordenando a cura da doença, Jesus ousou, contrariando a Lei da época, aproximar-se de um leproso e tocá-lo. A atitude de Jesus é interessante porque, tendo sublime compaixão, não só tocou e curou fisicamente alguém que sofria de lepra, uma doença infectocontagiosa que excluía o enfermo da comunidade onde vivia, mas, acredito, libertou aquele homem dos seus pecados. No tempo de Jesus, ainda predominava a Lei dos judeus, que determinava um procedimento rigoroso a ser aplicado à pessoa que sofria de doença de pele; em resumo, ela deveria morar separada da comunidade, enquanto fosse declarada impura, por conta da doença, e, só após ser aparentemente curada, procurar um sacerdote para começar o ritual de sua purificação, o qual envolvia o exame físico da pessoa e o posterior sacrifício de animais (cf. Lv 13 e 14). Tudo isso para dizer que a atitude de Jesus revelou que a cura e a libertação provém da fé (no caso anterior, vejam que o leproso suplicou a Ele, reconhecendo-o como o Messias esperado), e são realizadas com o auxílio da Palavra e da presença de Jesus, esta representada, em Mc 1,40-41, pelo toque. Retomando a discussão iniciada no parágrafo, assim como o homem leproso, também hoje podemos nos aproximar de Jesus, através da leitura e meditação da Bíblia (Palavra), e da eucaristia (Corpo), bem como, numa experiência única, na Santa Missa, cuja liturgia inclui ambas e propicia-nos um verdadeiro encontro com Ele, ajudando na cura e libertação (DUARTE, Denis. Cura e libertação pelas Sagradas Escrituras. São Paulo: Canção Nova, 2017. E-book, p. 36). Para nos mantermos na direção certa, que é Jesus, e fortificarmos nossa fé, também é fundamental colocar os Seus ensinamentos em prática. É claro que, além de seguirmos atentamente os mandamentos bíblicos e da Igreja, precisamos obedecer àquele importantíssima ordem – e um conselho, afinal Jesus é nosso maior amigo – indicada em Mt 22, 39: amar o próximo como a nós mesmos. Eu diria que isso envolve duas virtudes: a humildade e a compaixão. A primeira porque, sendo “o fundamento da perfeição, e a chave dos tesouros da graça, a virtude absolutamente necessária a todo cristão” (BRANDÃO, Ascânio. A Humildade. São Paulo: Imprimatur, 1941. E-book, p. 11), é o remédio para o mal do orgulho-próprio, este que, ao ignorar a natureza maléfica do pecado, instiga o sentimento de independência do ser humano em relação ao Criador. E a segunda, pois, se Deus Pai nos ama a tal ponto que permitiu o sacrifício de Seu Filho primogênito na cruz, como forma de reparação aos nossos pecados e de garantia da vida eterna, quem somos nós para não demonstrarmos compaixão com outrem? Em verdade, o próprio Cristo escolheu, por amor à humanidade, a Sua morte terrena. Amar não é fácil, sobretudo em se tratando de alguém que nos feriu. Mas, é preciso muito esforço de nossa parte, para cultivar no interior a virtude da compaixão; e amar o próximo implica, entre outras coisas, mostrar-se disponível a ajudá-lo. Um exemplo muito bonito que a Bíblia relata é o da sogra de Simão Pedro (cf. Mc 1, 29-31), que, enferma, precisava de alguém que dela cuidasse. Interessante é que os discípulos, exercendo a solidariedade, intercederam por aquela mulher (DUARTE, Denis. Cura e libertação pelas Sagradas Escrituras. São Paulo: Canção Nova, 2017. E-book, p. 27), informando a Jesus sobre o estado de saúde dela; e a própria, depois de curada por Ele, começou a servir aqueles que lhe ajudaram. O que notamos é uma verdadeira corrente de amor que tornou possível a cura e libertação da sogra de Simão. Enfim, proponho que reflitamos sobre algo que está implícito no “modus operandi” da cura e libertação. Depois de tudo o que foi dito (e o livro ainda traz outros ensinamentos valiosos sobre os quais não falei), é possível afirmar que a cura e a libertação verdadeiras dependem de vários fatores, entre os quais o principal: a nossa iniciativa. Ou escolhemos o caminho com a porta estreita (cf. Mt 7, 13-14) e aprendemos, com a fé e seus atributos, a nos mantermos nele, ou optamos por aquele que não exige esforço, mas nos afasta do amor de Deus, e portanto, impede o resultado da cura e libertação.

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