As origens da pós-modernidade

    Perry Anderson

    Edições 70
    2017
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9789724418452
    Português
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    Doney Corteletti Stinguel17/02/2022Resenhou um livro
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    Lista de Livros: As origens da pós-modernidade, de Perry Anderson

    Parte I: “As tensões da modernidade estética reproduzem em miniatura as tensões que existem na estrutura da sua descrição das sociedades capitalistas em geral. Por um lado, estas são governadas por “sistemas” de coordenação impessoal, mediadas pelos mecanismos controladores do dinheiro e do poder, que não podem ser recuperados por qualquer acção colectiva, sob pena de uma desdiferenciação regressiva das ordens institucionais separadas – mercado, administração, lei, etc. Por outro lado, o “mundo da vida” que é integrado pelas normas intersubjectivas, em que predomina mais a acção comunicativa do que a instrumental, precisa de ser protegido da “colonização” pelos sistemas – sem, todavia, neles se entrincheirar. O que este dualismo exclui é qualquer forma de soberania popular, num sentido tradicional ou radical.” * Mais do blog Lista de Livros em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2022/01/as-origens-da-pos-modernidade-parte-i.html XXXXXXXXXXXXXXX Parte II: “Nos anos a seguir à Primeira Guerra Mundial, quando a grande onda de agitação revolucionária na Europa Central esmorecera e o Estado soviético estava já burocratizado e isolado, desenvolveu-se na Europa uma diferente tradição teórica que viria a adquirir o nome de marxismo ocidental. Nascido da derrota política – o esmagamento das sublevações proletárias na Alemanha, na Áustria, na Hungria e na Itália por que tinham passado os seus primeiros grandes pensadores, Lukács, Korsch e Gramsci – este marxismo estava separado do corpo clássico do materialismo histórico por uma profunda cesura. Na ausência de uma prática revolucionária popular, desvaneceu-se a estratégia política para o derrube do capital, e uma vez que a grande depressão transitou para a Segunda Guerra Mundial, também a análise económica das suas transformações tendeu a eclipsar-se. Em compensação, o marxismo ocidental encontrou o seu centro de gravidade na filosofia, onde uma série de proeminentes pensadores da segunda geração — Adorno, Horkheimer, Sartre, Lefebvre, Marcuse – construiu um notável campo de teoria crítica, não no isolamento quanto às correntes ambientes do pensamento não-marxista, mas tipicamente em tensão criativa com elas. Era uma tradição profundamente preocupada com questões de método – a epistemologia de uma compreensão crítica da sociedade — acerca da qual o marxismo clássico deixara poucos indicadores. Mas o seu propósito filosófico não era apenas processual: tinha um foco central de preocupação substantiva, que constituiu o horizonte comum desta linha enquanto todo. O marxismo ocidental foi, acima de tudo, um conjunto de investigações teóricas da cultura do capitalismo desenvolvido. O primado da filosofia na tradição deu a estes estudos um cunho particular: não exclusivamente, mas de modo decisivo, mantiveram-se fiéis às preocupações da estética. A cultura, fosse qual fosse o seu conteúdo, significava, acima de tudo, o sistema das artes. Lukács, Benjamin, Adorno, Sartre, Della Volpe constituíam aqui a regra; Gramsci ou Lefebvre, com um sentido mais antropológico de cultura, a excepção.” * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2022/01/as-origens-da-pos-modernidade-parte-ii.html XXXXXXXXXXXXXXX Parte III: “O triunfo universal do capital significa mais do que uma simples derrota para todas aquelas forças outrora contra ele organizadas, embora também seja isso. O seu sentido mais profundo reside no cancelamento de alternativas políticas. A modernidade, como observa Jameson, chega ao fim, quando perde todo e qualquer antónimo. A possibilidade de outras ordens sociais era um horizonte essencial do modernismo. Desvanecido este, entra para o seu lugar algo como o pós-modernismo. Eis o momento tácito de verdade na construção original de Lyotard. Como deveria, então, resumir-se a conjuntura do pós-moderno? Poderia fazer-se uma comparação muito breve com o modernismo: o pós-modernismo brotou da constelação de uma ordem governante déclassé, de uma tecnologia mediatizada e de uma política monocrómica. Mas, naturalmente, também estas coordenadas eram apenas dimensões de uma mais ampla mudança, que sobreveio com a década de setenta.” * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2022/01/as-origens-da-pos-modernidade-parte-iii.html XXXXXXXXXXXXXXXXX Parte IV: “A ambivalência ideológica do pós-moderno poderia assim associar-se a um contraste histórico: esquematicamente – derrota do trabalho organizado e rebelião estudantil desembocando numa acomodação económica ao mercado, ascensão dos humilhados e ofendidos que leva ao questionamento político da moralidade e do Estado. Sem dúvida, tal paralelismo está, em parte, latente na exposição de Eagleton. Mas se ele nunca é explicitado, a razão reside num equívoco inicial. Sendo assim, não haveria, aparentemente, uma medida comum entre os dois desenvolvimentos de fundo, atribuídos ao pós-modernismo: um suscitado internamente no capítulo inicial, que estabelece o cenário para todo o livro, o outro — por assim dizer — uma espécie de compensação alusiva em vários parágrafos. A realidade política sugeriria que semelhante proporção revelava bom senso. Mas ajusta-se mal à noção de ambivalência, que implica uma paridade de efeito. Consciente porventura da dificuldade, Eagleton tira momentaneamente com uma mão o que com a outra propõe. A fábula do fracasso político termina com a “mais bizarra de todas as possibilidades”, quando ele pergunta: “Que aconteceria, se esta derrota nem sequer tivesse efectivamente acontecido? Que aconteceria, se ela fosse menos uma questão da esquerda ascendente, obrigada depois a recuar, do que uma desintegração incessante, uma gradual falta de fibra, uma paralisia crescente?” Se esse fosse o caso, então o equilíbrio entre causa e efeito seria restaurado. Mas, embora seja tentado por este devaneio confortante, Eagleton é demasiado lúcido para nele insistir. O seu livro termina como começa, “infelizmente, com uma nota mais ameaçadora”: o ponto essencial do pós-moderno não é um estado de equilíbrio, mas a ilusão.” * Mais desta postagem do blog Lista de Livros em:

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